30 de julho de 2014

:: Estes bispos também apoiam o matrimônio igualitário

A Comunhão Anglicana é rica por ser heterogênea, diversa e por conter inúmeras províncias autônomas que se unem fraternalmente como sinal visível da Igreja do Cristo dos Excluídos e Marginalizados que aqui dá testemunho de seu amor enquanto caminha como "sal e luz". Conservadores e liberais buscam coexistir, algumas vezes, errando e aprendendo. Inúmeras questões carregam muitas vezes realidades históricas e culturais diferenciadas. Há que se respeitar o momento e o tempo de discernimento de cada um, de cada uma... amar também é respeitar. 

Eis por que encontramos províncias que ordenam mulheres; outras, apenas homens. Não seria diferente com as questões envolvendo sexualidade e a compreensão do conceito de família face a mudanças sociais e culturais. Povos e sociedades caminham, cada qual, no seu próprio ritmo. Isto tem a ver com sua própria identidade. Por isso mesmo, na luta que desenvolvemos em nossa província, que não deixa de estar atenta a inúmeras mudanças no contexto social e cultural quando o assunto em ordem são os novos modelos de família, prosseguimos nossa Missão profética apontando exemplos de bispos diocesanos de nossa Comunhão Anglicana que já discerniram o suficientemente em seus corações e em suas assembleias conciliares, em seus sínodos, o quão importante é saber ouvir os apelos do povo de Deus face à justiça e à igualdade, uma das muitas marcas da presença do Espírito Santo.

No primeiro exemplo, o bispo da diocese episcopal americana de Olympia, num território que já possui uma legislação civil respaldando as mudanças sociais no conceito de família. No segundo exemplo, o bispo da diocese de Cork, na Igreja da Irlanda (unida à Comunhão Anglicana), cujo Parlamento ainda examina as mudanças em sua legislação e, por isso mesmo, a própria Igreja se mantém em expectativa mas sem tomar nenhuma posição oficial em definitivo. No último exemplo, outro bispo episcopal pontuando seu posicionamento neste momento em que o estado do Arizona, jurisdição de sua diocese, decidiu por aprovar alterações em sua legislação autorizando o matrimônio igualitário. 


Casais do mesmo sexo não estão pedindo um tratamento especial. Eles estão pedindo igualdade de tratamento. Eles estão pedindo para terem reconhecidos os deveres, como um casal, dentro da comunidade. Para mim, esta é uma proposta conservadora. Eu sou a favor disso.

Bispo Gregory Rickel


Eu certamente apoio o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, mas eu também reconheço a definição de casamento para a Igreja da Irlanda. O fato é que os acontecimentos na sociedade estão se movendo muito rapidamente e a Igreja não está atenta ao ritmo. Gostando ou não, a Igreja da Irlanda tem que descobrir como ministraremos pastoralmente a essas pessoas.

Bispo Paul Colton




Pelo lado de dentro das alianças tanto de minha esposa quanto da minha se encontram as antigas palavras latinas "Ubi caritas et amor; Deus ibi est." (Onde caridade e amor se encontram, aí está Deus). É por esta razão que eu apoio o matrimônio igualitário.

Bispo Kirk Smith

:: Mensagem pastoral do Primaz sobre os conflitos na Palestina

Santa Maria, 30 de julho de 2014

Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a. Salmos 34,14


Diante das cenas que desafiam nossas mentes e corações é impossível nos calarmos diante da injustiça, da violência e da opressão. O conflito entre Israel e Palestina tem alcançado níveis insuportáveis de violação dos direitos humanos e da excessiva força militar israelense contra o povo que habita a região de Gaza.

Ao longo de décadas, o povo palestino tem sofrido com o isolamento e o apartheid político causado pelas incursões militares em seu território. Suas terras são constantemente invadidas pelos assentamentos ilegais do povo israelense, contrariando claras resoluções da ONU sobre estas violações. Apesar de todos os esforços para a construção da paz no Oriente Médio, uma vez mais nos deparamos com a brutalidade da guerra.
O ultra-nacionalismo do governo israelense tem feito ouvidos surdos aos apelos da comunidade internacional, inclusive de seu maior aliado, para suspender a matança de civis, em sua maioria mulheres e crianças.
A tese de autodefesa cai por terra quando se assassina crianças e mulheres indefesas. Lamentavelmente Israel se sustenta a partir da estratégia de guerra. Os nexos econômicos de compra e venda de armas de guerra garantem muitas vezes a indecisão de alguns países como Estados Unidos e países europeus. Os laços da política bélica israelense estendem suas ramificações até no Brasil como por exemplo o termo de convênio entre o Estado do Rio Grande do Sul e a empresa israelense para desenvolvimento do polo aeroespacial gaúcho.

Somente a pressão internacional poderá fazer com que o cessar fogo seja definitivo e possa permitir negociações realmente sérias para o estabelecimento de um Estado Palestino e um Estado Israelense que convivam em mútuo respeito e sem hostilidades. Nem todo israelense é sionista e nem todo palestino é anti-semita. Existem organizações e movimentos que tem postulado a busca de entendimento e reconhecimento de ambos os povos do direito de cada um ter seu Estado e sua auto-determinação. Muitas iniciativas ecumênicas e inter-religiosas tem buscado trilhar este caminho.
O braço armado de radicais não serve como interlocutor legitimo para a construção da paz. A lógica da guerra é inaceitável e ainda muito mais quando se mata crianças, destrói hospitais, escolas, infra-estrutura e nega direito a refúgio seguro.
Rechaçamos veementemente a ofensiva de destruição de Gaza pelo exército israelense e pedimos à comunidade internacional que pressione efetivamente e por todos os meios o governo de Israel a interromper esta matança inaceitável de civis inocentes.
Oremos por todas as pessoas que estão envolvidas no trabalho de assistência humanitária em Gaza e por todas aquelas que estão se esforçando para a o estabelecimento de um diálogo entre as partes em conflito.

++Francisco
Primaz do Brasil

Fonte: Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Link original: 
http://bit.ly/1o4XpkR

Imagens: Reuters, ETH e Google

:: Nossas campanhas cristãs

  
Porque nós, carregando o peso e o privilégio de termos sido feitos filhos e filhas de Deus, por meio da fé no Cristo dos Excluídos e Marginalizados de Nazaré, não podemos nos calar diante das injustiças e de todas as demais formas de exclusão praticadas pelos sistemas perversos do mundo, o mesmo mundo que não conhece nem vê a Deus... pois Deus é visto e conhecido pelas obras de Jesus (Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.”). Estas são algumas das campanhas de denúncia profética que o Movimento Episcopaz – Anglicanos Pró-Diversidade & Pela Paz vem realizando ao cumprir o “ide” de Nosso Senhor, completamente rendidos à Sua escandalosa Graça que a todos convida para uma mudança radical de valores e posicionamentos frente às pessoas e ao mundo.

Esteja completamente à vontade para, querendo, compartilhar os banners de nossa pastoral. Tendo dúvidas ou desejando nos apoiar, escreva-nos: episcopaz@trindademeier.org ou anglicanosdobrasil@gmail.com







E que nunca nos esqueçamos. Juntos somos muito mais pelo Poder do Amor. Una-se a nós e leve adiante a mesma promessa que nos empenhamos diante de sua Igreja a defender a justiça para todos e a respeitar a dignidade de todo ser humano, sem exceção alguma, sem impor ou consentir na imposição de rótulos ou estigmas, sem tornar alguns mais ou menos importantes, com mais ou menos direitos enquanto obra prima da Criação de nosso Pai Celestial, pois este é nosso dever e nossa salvação no Filho de Deus. 

Se você assim crê, diga amém enquanto suas mãos obram por um mundo, verdadeiramente, melhor!








:: Pronunciamento sobre o conflito em Gaza


Arcebispo de Cantuária exorta líderes em Israel e Gaza a acabar imediatamente com a violência, e apela às igrejas anglicanas para orar e oferecer apoio a todas as vítimas do conflito.



"Você não pode olhar para as imagens vindas de Gaza e Israel, sem que o seu coração se consterne com tudo aquilo. Devemos clamar a Deus, batendo nas portas do céu, e interceder pela paz, pela justiça e pela segurança. Só uma valiosa, profunda  e sincera busca pela paz entre israelenses e palestinos pode proteger pessoas inocentes, seus filhos e netos, da mais terrível violência.

A minha maior admiração neste momento é por todos aqueles que estão envolvidos nos esforços humanitários naquela terra, o que inclui o não menos importante esforço da equipe médica e dos funcionários do hospital árabe Al Ahli. Proporcionando alívio e abrigo para os deslocados é uma expressão tangível de nosso cuidado e preocupação, e eu particularmente encorajo as paróquias e as dioceses da Igreja da Inglaterra, bem como de toda nossa Comunhão Anglicana, a orar por todos eles e apoiar os apelos de emergência da Diocese de Jerusalém.

Enquanto a ajuda humanitária para os civis mais afetados é uma prioridade, especialmente no que se refere a mulheres e crianças, também temos de reconhecer que este conflito sublinha a importância de renovar o compromisso de diálogo político na busca mais ampla para a paz e a segurança, tanto para israelenses quanto para palestinos. O ciclo destrutivo de violência tem causado um sofrimento indescritível e ameaça a segurança de todos.”


Ecoando a oração do Papa Francisco, o Arcebispo de Cantuária, Justin Welby concluiu seu pronunciamento dizendo: 

"Rezemos ao Príncipe da Paz, que muito sofreu em uma terra de violência, para que os corações se voltem para a paz e os inocentes sejam amparados."

Fonte: Página oficial do gabinete do Arcebispo de Cantuária. Veja aqui.

29 de julho de 2014

:: Sobre os ventos quando quebram tabus

Os 40 anos das primeiras ordenações femininas ao sacerdócio na província americana da Comunhão Anglicana e o símbolo desta conquista para nossas inspirações por uma Igreja mais acolhedora e aberta ao novo.





Na imagem já podemos nos apropriar do peso de sua significação. A incrível bispa Barbara Harris, usando mitra no serviço neste domingo (27/07) na Church of the Advocate, exatamente ela que se tornou a primeira bispa (e a primeira bispa afro descendente também) de toda a Comunhão Anglicana em meados dos anos 80. 



Falando assim atropelamos a tensão que foi a data de sua sagração ao episcopado no dia não menos simbólico 11 de fevereiro ― o dia em que a Igreja Episcopal americana festeja anualmente a memória de Fanny Crosby, chamada de "a rainha dos hinos sacros contemporâneos", uma poetisa e compositora cega que soube na pele o peso da exclusão no século XIX, tendo sido a primeira mulher a discursar no Senado americano ―, mais precisamente no ano de 1989, na diocese de Massachusetts. Ameças de morte chegaram por várias mensagens. A misoginia de muitos setores emergiu com a possibilidade real de uma mulher ser "maior que deveria". Os "filhos mais velhos" na analogia à parábola do Filho Pródigo se irritaram com o Pai (que chama quem Ele quer!) e se recusaram a entrar dentro de Casa. Temendo por algo mais grave, foi-lhe recomendado usar colete à prova de bala durante a solenidade de sua sagração ao episcopado, ao que ela recusou veementemente. 



No dia da sagração como bispa uma equipe da Polícia de Boston foi destacada para estar dentro e fora da igreja a fim de evitar o que à época parecia ser inevitável depois de tantas ameaças. Não, nada aconteceu senão ameaças. Todas as coisas cooperaram para o bem de todos aqueles e aquelas que amam a Deus...

Como está escrito: Agindo Deus quem é que há de impedi-Lo?

Passados 40 anos das primeiras ordenações femininas ao sacerdócio da província americana da Comunhão Anglicana (a bispa Barbara Harris não estava entre as primeiras a se tornarem presbíteras mas foi ordenada anos mais tarde), na mesma igreja ela co-presidiu a histórica celebração. É dela a afirmação ao explicar o porquê de insistir no seu chamado e na sua ordenação: 

"Eu realmente não queria ser um dos garotos. Queria sim oferecer meus dons peculiares como mulher e negra... uma sensibilidade e uma consciência que se transformam muito mais que os anos passados na opressão."


A História é sempre aliada daqueles que desejam construir alguma coisa. O filho pródigo é o lembrado na parábola do Cristo, e não o irmão mais velho que não aceitava o fato de alguém  na visão dele  sujo, imoral, desqualificado e bla bla blá ter os mesmos direitos que ele. Chico Mendes, Irmã Dorothy e tantos outros são os lembrados pelo seu legado que incomodou os sistemas. 

Daqui a uma ou duas gerações, creio eu, pessoas se lembrarão de seus pais e avós e sua luta em favor daquelas pessoas postas à margem pelos sistemas excludentes, quase sempre morais ou raciais. Olharão para trás e verão quanta luta e quanta energia foram gastas para preparar o chão que eles encontrarão, mas que, por outro lado, poderia ser gasta de outras maneiras se acaso aquela geração (no caso, a nossa) parasse de "interpretar" ou "aprisionar" Deus em textos que nos servem de inspiração para compreender como outras pessoas viveram suas experiências dentro de seus contextos com suas milhares de limitações (culturais, sociais, antropológicas, jurídicas, médicas, etc). Daí, fico meditando no que o reino de Deus significa para mim e para quem tanto luta para que ele não alcance pessoas diferentes senão  observe que coisa!  para torná-las seus clones, pois, ainda são capazes de assegurar para todos (este é o perigo, para todos!) que isto é "o certo". Como li (e me alimentei) das palavras do companheiro Carlos Bregantim, lá de Sampa, "neste Reino, no Reino do Deus Eterno não cabe dependentes, co-dependentes de ninguém, soldados manipulados, discípulos sem consciência própria, dependentes de bengalas, muletas e escoras. Neste Reino, no Reino do Deus Eterno todos e cada um andam com suas próprias pernas segundo e seguindo suas próprias consciências cativas à Cristo que a ninguém escraviza"

Comecei citando um trecho de um documento histórico de uma província da Comunhão Anglicana, a Episcopal USA, da qual nasceu a filha onde nossa Pastoral encontra-se propositalmente inserida nesta que é a província brasileira, também chamada Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. O documento celebra os 40 anos de uma vitória testemunhada pela História e por aqueles que sobreviveram as últimas gerações para assistir a INCLUSÃO das mulheres à ordenação sacerdotal depois de muitos anos de intensos e acalorados debates, ameaças e ofensas dos mais conservadores aos "liberais" (e vice-versa). 

Apesar de tudo isso, o vento do Espírito LIVRE COMO ELE É nunca deixou de soprar e realizar sua vontade, posto que ninguém poderá impedi-Lo jamais. Ora, pessoas carregam o peso e a glória de serem pessoas. Pessoas não são objeto de escambo, de troca ou manipulação. Pessoas e seus corações não recebem de Deus etiquetas ou marcas a fogo de boiadeiro (homem, mulher, negro, branco, alto, baixo, rico, pobre, hétero, gay, nerd, geek, etc). Pessoas são obras-primas da Criação e do Criador. Pessoas carregam a eternidade. Digo isso porque creio que o Reino de Deus continuará avançando em muitas consciências (o único lugar onde ele de fato cresce e se expande!), retirando montanhas e as lançando no fundo do mar, abrindo caminho para o "nascer de um novo pensamento", sem o qual, NINGUÉM CONSEGUIRÁ VÊ-LO CRESCER... 40 anos de ordenação feminina conquistados entre os gringos da América do Norte... Aqui no Brasil temos um pouco mais da metade deste tempo. Tal como lá não foi fácil por aqui...

Hoje as conquistas continuam na mesma vibe, agora, no entanto, rumo à inclusão de muitas outras causas não menos importantes. Interessante perceber é que tudo tem seu tempo certo de acontecer, bem no ritmo ditado pelo livro de Eclesiastes e o "tempo para todo propósito" se desenhar nas paisagens da História. Fazer parte deste caminhar da História é incomparavelmente melhor para mim, particularmente, que chegar e encontrar tudo pronto. A sensação de ter feito parte da luta, em meio à massa que segue o curso dos ventos do Espírito, apresentando os calos marcados nas mãos, enfim, não tem preço. É um dos muitos e mais fascinantes desafios como cristão, latinoamericano, brasileiro e episcopal anglicano em pleno século XXI.


No dia a dia as nossas lutas e conquistas mais ordinárias seguem o mesmo fluxo do agir divinal por trás da História, algo sendo perfeitamente orquestrado pelo Autor da meta-história, e que nos atinge diretamente em todas as dimensões da vida, pois onde houver desejo de unidade, solidariedade, partilha de direitos e cuidado do semelhante na sua integralidade, o mesmo e único Espirito estará soprando e sinalizando que é possível mudar os cenários de nossa existência com algo infinitamente melhor. É possível mudar os rumos da História quando rendidos à certeza que provém da fé que Aquele que começou a boa obra de salvação, chamando-nos quando ainda distantes, há de levá-la a bom termo até o momento certo, até aquele Dia.

Sou um sonhador dizendo isso, mas é algo que confesso publicamente como sendo parte indissociável do meu ser. Não sei ser sem ver os excluídos tornados parte, e digo isto sem querer que os "centuriões romanos" deixem de ser "centuriões romanos", que as "mulheres samaritanas" deixem de ser "mulheres samaritanas", mas que antes tenham seus corações transformados pelo Poder do Amor. Não há o menor problema de chamá-lo Jesus. Ele não sofre de crises de identidade, por isso sabe que aquele que ama O conhece. E que aquele e aquela que O conhece e O ama, faz as obras que Ele fez; por isso também é conhecido pelo Pai e pelo Pai é glorificado e glorificada no silêncio do cotidiano como povo de Deus.

A História é testemunha ocular de que o vento sopra onde e quando o Senhor dos Ventos quer. Pode-se passar uma ou mais gerações mas não há quem possa resistir quando Ele chama... Ora, Ele chamou e continua chamando homens e mulheres, e o mais legal é que Ele não coloca rótulos. Ele apenas pergunta a uns "Saulo, Saulo, por que me persegues?"; a outros, às vezes, insistindo, "Pedro, tu me amas?". O fim e a motivação é uma só: "vinde todos vós..."

E a gente, de tempos em tempos, ainda fica nessa de querer impedir alguns...

Ricardo Pinheiro
Inverno/2014

26 de julho de 2014

:: Este tal Episcopaz...


Uma ferramenta para auxiliar quem achava que a pastoral de Direitos Humanos era uma coisa e viu que é outra.


A gente começa dizendo que quer realmente te ajudar. Sabe, de vez em quando a gente recebe mensagens ou vê que algumas pessoas curtem nossa página no facebook ou nos seguem pelo twitter meio que assim, no ímpeto, por conta de algum compartilhamento ou imagem relacionada às nossas postagens diárias. Logo quando se dão conta que o Movimento Episcopaz – Anglicanos Pró-Diversidade & Pela Paz é, como o nome já indica, uma pastoral que luta as causas dos excluídos e marginalizados (postos à margem, sem muitos direitos ou sem a tal “igualdade”), acabam pulando fora. A gente entende. Realmente defender a justiça (querer repartir os mesmos direitos com o próximo; querer o que for justo para todos) e respeitar a dignidade de todo ser humano (inclusive daqueles que o “olhar moral” já denuncia como supostamente sendo uma categoria inferior) não é para toda e qualquer pessoa. É para gente que nasceu de novo, não por si mesma, mas pelo Espírito. É para gente que não deseja fazer mais a sua vontade, mas sim a Daquele que nos chamou “das trevas (ignorar a existência e o direito do próximo, por exemplo) para sua maravilhosa luz”.

O que a gente tá querendo dizer é que a gente entende quem prefere “amar os iguais”, quem segue os textos bíblicos literalmente (quer dizer, aqueles que se pode selecionar... tem uns que são estapafúrdios demais. Quem é que em sã consciência vai querer manter escravos ou deixar de aparar barba ou nunca mais comer nada derivado do porco, do siri ou do camarão?), quem, enfim, se equivoca pensando que a gente defenderia tudo isso e pula fora quando vê que somos rendidos ao escandaloso amor de Cristo.

A gente sabe que muito provavelmente você também sabe que a Porta é estreita porque ela leva para o caminho do amor. Jesus sempre sabe das coisas, por isso disse que “são poucos os que entram por ela”. E nada há que os nossos instintos mais aborreçam do que o amor. Quem gosta de ser abusado? Quem aceita ser provocado? Quem está disposto a perdoar sempre? Quem se oferece para assumir responsabilidades mesmo sabendo que o preço será ser sempre cobrado?

A gente sabe que a maioria foge. Na verdade, muitos praticam o exercício de “amar apenas os iguais” para não serem importunados. Por isto a gente sabe que muita gente, com efeito, não quer se envolver com a bondade e a misericórdia, pois sabe que todo aquele que se deixa enlaçar nas redes do amor e seus frutos, certamente muito sofrerá. É por isso que a maioria apenas sabe demandar, e gosta de passar por retrógrado, intolerante, machista, homofóbico apenas para não ter o trabalho de responder com o bem. Os preguiçosos existenciais tornam-se maus porque têm preguiça de amar.

Uma coisa que a gente aprendeu é que todo aquele que não quiser ser importunado, seja então pragmático, grosso, estúpido, intolerante, homofóbico, aprenda a capacidade de surtar, fale bobagens e coisas desconexas que o próprio sabe que não são verdade diante da Graça de Deus, do tipo que Deus faz acepção de pessoas, que a mulher não pode exercer autoridade sobre o homem mas que deve ser a rainha do lar, entre outras, que é para que todos tratem este tal como um maluco que “desdiz” Deus e “aniquila” a sua Graça, fazendo de tudo para não se sentir molestado por ninguém com este papo de igualdade, de diversidade, de respeito, de coexistência pacífica, etc e tal.

Em contrapartida, se até mesmo você não quiser ser molestado não cometa nenhuma bondade, e não se vicie nela, pois os resultados não serão em seu favor; isso se você não gostar de ser importunado pela vida.

Então, antes de curtir nossa página saiba que nós somos uma pastoral ligada a uma igreja local (Paróquia da Santíssima Trindade), na Diocese Anglicana do Rio de Janeiro da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e que:

1) Apoia a igualdade na Igreja, isto é, mulheres têm o mesmo direito pleno que os homens ao laicato, diaconato, presbiterado e episcopado.

2) Defende a justiça em todos os níveis, inclusive quando o assunto é sermos justos com o direito amparado pela Constituição (e pela jurisprudência de todos os tribunais) de quem deseja se casar.

3) Respeita a dignidade de todas as pessoas, por isso mesmo reconhece que a mesma Graça que nos chamou “sendo nós ainda pecadores”, isto é, não tendo nós qualquer virtude para servir como barganha, é capaz de chamar a quem desejar, quando desejar, pois, como está escrito: "todos pecaram e carecem da glória de Deus" e porque diante Dele "não há um justo, nenhum sequer!".

4) Mantém diálogo permanente com quem pensa, crê e é diferente de nós.

Por isso mesmo, cientes de tudo isso, não há a menor necessidade de quem quer que seja emitir críticas depreciativas ou tentar forçar a “sua verdade” com inúmeras citações em quaisquer postagens. Perda de tempo! A regra é simples, quase um princípio bíblico de sabedoria: Basta não curtir nem o que postamos nem a nossa fanpage pelas redes sociais. 

Agora, se os nossos ideais de igualdade e justiça te parecerem “evangélicos” (fundamentados no Evangelho), se esta for a sua “praia”, junte-se a nós. Siga-nos pelo twitter ou curta nossa página no facebook.

Então, paz sobre todos os que amam a paz e a promovem com respeito à liberdade do próximo!

Movimento Episcopaz
Anglicanos Pró-Diversidade & Pela Paz








25 de julho de 2014

:: Somos todos nazarenos


Guardem este símbolo:

É a letra "num", a décima quarta do alfabeto árabe, e que inicia a palavra "nazara" (نصارى), isto é, "nazarenos" (cristãos). Ela está sendo pintada por muçulmanos membros do ISIS (Islamic State of Iraq and Syria) nas casas de cristãos de Mossul (a antiga Nínive), no Iraque, a fim de marcá-los para a morte, conversão forçada ou pagamento de uma taxa. A comunidade cristã de Mossul é uma das mais antigas do mundo com existência contínua. 


Foto de uma casa marcada:


Em total solidariedade aos cristãos do Iraque que são perseguidos e, caso não se convertam ao islamismo ou não paguem a ajizya 1, são martirizados sumariamente, elevamos nossas orações para que o Senhor da Paz os preserve até o fim. Por isso mesmo, tal como o Revmº Justin Welby, Arcebispo de Cantuária, fez nesta sexta-feira pelo twitter, unimo-nos no mesmo espírito em prol de nossos irmãos no Iraque ―  chamados pelos radicais islâmicos pejorativamente de “nazarenos”, isto é, cristãos ― nos identificando até o dia da Transfiguração de Nosso Senhor (6 de agosto) com o mesmo símbolo imposto pelos radicais do ISIS mediante a letra “num” do alfabeto árabe. #SomosTodosNazarenos ou, como disse o Arcebispo Welby, #SomosTodosN.

Os radicais islamitas também puseram fogo na casa do arcebispo romano da cidade e no mês passado (junho/2014) já tinham lançado mísseis numa igreja no noroeste de Mossul:
  

A mais recente investida dos radicais do Estado Islâmico foi numa igreja de 1800 anos (que ainda não podemos afirmar se é católica romana, assíria, ou síria ortodoxa), como é possível ver aqui:


Essa situação nos leva a reflexões as mais variadas, das quais destacaremos três sobre cujos pontos lançaremos nosso olhar pró-direitos humanos:


I) A importância do conceito de liberdade religiosa em meio à diversidade sócio-cultural e a necessidade de diálogo 2.

II) O caráter violento de toda radicalidade, de toda religião que não religa e opta por se tornar “poder visível na Terra”: o islã (que, dependendo do lugar, só é moderado por inflexões político-culturais) é só “mais um” entre tantos outros segmentos religiosos suscetíveis de se tornar corrompido pela maldade dos seres humanos. 

III) A "inocência primeva" dos que defenderam a derrubada de alguns governos laicos por parte de países ocidentais sobre a justificativa de "levar a democracia"; contudo, sem buscar nos acordos com as diversas correntes políticas (e até mesmo étnicas) uma costura que, mesmo em meio à complexidade de solução, apontasse novos caminhos a médio ou longo prazos.

R. P. (Movimento Episcopaz) 

Fotos: The Assyrian Voice e The Shia Post

Notas:
1 Na  lei islâmica clássica existe um contrato que regula a relação entre os cristãos (e também os judeus) e a comunidade maometana (ou umma). Esse contrato, chamado de dhimma, permite que os cristãos residam numa área islâmica, com certa autonomia interna, em troca do pagamento de uma taxa (ajizya) e da submissão a várias restrições legais e sociais (como chamar a atenção durante seus cultos, construir novas igrejas, etc.). O dhimma foi uma maneira encontrada por antigos governantes muçulmanos para manter os cristãos quietos e incentivar as conversões. Ela só é concedida aos cristãos e judeus pelo fato dos maometanos considerarem que essas religiões são guardiãs de parcelas da revelação, e, portanto, merecerem certa proteção e autonomia comunal.

2 Os desafios do enfrentamento da liberdade religiosa face à diversidade e o avanço da secularização como fenômeno são matéria de uma reportagem interessante do Instituto Unisinos, intitulada: Pluralismo religioso: entre a diversidade e aliberdade. Entrevista especial com Wagner Lopes Sanchez



21 de julho de 2014

:: Pontuando diferenças na hora de estender direitos aos LGBTs

Presidente americano, Barack Obama, assina decreto do executivo federal regulamentando a proibição à discriminação nas empresas federais em razão de orientação sexual e identidade de gênero.



Por mais que se trate de um assunto doméstico estadunidense, não poderíamos deixar de ao menos “tocar” num tema que é tão caro para muitos de nossos irmãos: a questão do respeito à dignidade e da igualdade de direitos para os LGBTs.

O que chama a atenção para o fato é que, dias antes (no dia 1º de julho), diversos segmentos cristãos conservadores assinaram carta em conjunto tentando barrar a proibição. Sim, cristãos de renome como Rick Warren, da mega-igreja Saddleback Church, entidades e associações como a Universidade Católica da América, a Cristianismo Hoje, a World Relief, a Catholic Charities USA, entre outras, não querem que pessoas sejam protegidas, No mesmo documento chegam a tentar constranger o presidente apelando para a fé cristã, fazendo-o lembrar que o “casamento é entre um homem e uma mulher” e que os empregadores que defendem sua “identidade religiosa”não podem ser afetados, que o “bem comum sofre”. Não, vocês não leram equivocadamente. Eles defendem o “status quo” porque, afinal, é da identidade religiosa de alguns discriminar sem culpa!

No entanto, em que pesem as alianças conservadoras na Câmara que bloqueiam toda medida visando oferecer igualdade aos cidadãos LGBTs, o presidente resolveu usar do decreto executivo (Executive Order) para sanar a lacuna existente e com isso conquistar o importante apoio de diversos grupos e entidades ligados à defesa dos direitos humanos, em especial dos LGBTs. Em outras palavras: Obama enfrentou os parlamentares ligados ao lobby religioso conservador, correndo sério risco de represálias, preferindo reconhecer direitos igualitários. Tudo a ver com o que vemos acontecendo em nossa Pátria Amada Brasil, certo? Não!

Por aqui, a força do lobby da Frente Parlamentar Evangélica (que tem explícito apoio da bancada católica romana) é tão grande que amarra o Executivo federal, ameaçando trancar a pauta dos diversos projetos do Planalto dentro do Congresso. O resultado? Cede-se em nome de outros interesses tidos como não menos importantes... afinal, consideram, cidadãos LGBTs já estão acostumados à penumbra, às margens...

Fica aqui o exemplo do presidente americano na sua luta igualitária (ainda que, no fundo, tal como qualquer político, esteja de olho nas eleições), na sua forma de enfrentamento de uma questão que atinge em cheio a segurança de milhares de cidadãos no que diz respeito à sua dignidade e que, por extensão, ataca privilégios daqueles que não desejam dividir direitos com ninguém.

Parabéns ao cerimonial da Casa Branca que se lembrou de convidar para o histórico evento representantes trabalhadores e do clero que luta em prol dos direitos dos LGBTs (como se veem nas imagens: da Igreja Episcopal os representantes enviados: bispo Gene Robinson e a Revdª Susan Russell, além de Vivian Taylor, diretora executiva do Integrity; da Metropolitan Community Church a moderadora internacional: bispa Nancy Wilson; entre outros líderes religiosos).


Fontes: Estadão Internacional e Inc.com

Movimento Episcopaz - Anglicanos Pró-Diversidade & Pela Paz
Coordenação 




:: "Show, performance e ambiguidades – O barulho do joio no campo do trigo"



"O trigo dá fruto depois que morre para os sistemas perversos de exclusão e de amor ao poder. O joio não quer morrer, justamente porque seu único fruto é sua própria existência.  

O trigo é discreto, porque o que é, é. O joio só tem sua imagem a projetar... Fala em amor, mas se recusa a amar quem ousa ser ou pensar diferente... Fala em justiça, mas se recusa a ser justo e oferecer a mão a quem está caído ou a partilhar os mesmos direitos com outras pessoas... 

Imagem é o único produto do joio! O trigo, diferentemente, dá fruto".


Trechos da homilia do coordenador de nossa pastoral neste domingo, 20/07/2014, na Paróquia da Santíssima Trindade, sede do Movimento Episcopaz (DARJ/IEAB).

:: Motivos de oração pela paz?



Não faltam motivos para quem intercede continuamente pela paz. Vivemos dias de muita apreensão não apenas em nosso país como em todo o mundo. Ao separar uns instantes de oração, lembrem-se:


- Pela possível internacionalização nos conflitos envolvendo o ataque sofrido com o avião da Malaysia Airlines na Ucrânia.

- Pelas ofensivas por terra de Israel na faixa de Gaza.

- Pelo Hospital Al Ahli em Gaza e as centenas de vidas (a maioria mulheres e crianças) hospitalizadas após os intensos bombardeios dos últimos dias. Segundo a Diocese Episcopal de Jerusalém, estão precisando de toda ajuda possível, a começar por água. O apelo foi feito pelo bispo anglicano daquela diocese, Revmº Suheil Dawani. O apelo --- de 15/07/14 --- está no sítio da Diocese de Jerusalém: http://bit.ly/1p2pV6j

- Pelos anglicanos que estão trabalhando na Fundação Cristosal, no meio dos terríveis conflitos em El Salvador envolvendo as duas gangues violentas Mara Salvatrucha e a Barrio 18, cuja batalha sangrenta por disputa de território tem ceifado milhares de vidas. Para saber mais sobre a Fundação Cristosal:http://cristosal.org/

Senhor, tende piedade... e escutai a nossa prece!

Coordenação do Movimento Episcopaz
Anglicanos Pró Diversidade & Pela Paz
Paróquia da Santíssima Trindade
DARJ/IEAB


Imagem: Paróquia São Lucas, Haifa.

14 de julho de 2014

:: Igreja da Inglaterra, Mãe do Anglicanismo, tem seu dia histórico

A Igreja da Inglaterra votou hoje a favor de mulheres bispas.


Isso significa que potencialmente a primeira mulher bispa poderá ser nomeada até o final do ano.

O arcebispo de Cantuária, Sua Graça Dom Justin Welby, disse: "Hoje é a conclusão daquilo que se iniciou há mais de 20 anos com a ordenação de mulheres como sacerdotes. Estou muito satisfeito com o resultado de hoje. Hoje, marca-se o início de uma grande aventura de buscar a prosperidade mútua, ainda que em alguns casos discordantes".

"O meu objetivo, e acredito que o objetivo de toda a Igreja, deve ser o de ser capaz de oferecer um lugar de acolhimento e crescimento para todos. Vivemos hoje um momento de bênção e [manifestação] do dom de Deus e, consequentemente, de sua generosidade. Saibamos que o vencedor não leva tudo, mas em amor [vivenciamos] um tempo para a família  seguir em frente juntos".



Fonte: Site oficial do Arcebispo de Cantuária. 

Fotos: BBC de Londres

Clique aqui para ouvir o Arcebispo de York, Dr. John Sentamu, anunciando o resultado da votação.

Clique aqui para ler a notícia em inglês na íntegra.

:: Jesus é a Chave Hermenêutica: destranque-se!



O Supremo Tribunal Federal
O Conselho Nacional de Justiça
O Conselho Federal da OAB
A Associação dos Magistrados Brasileiros
A Secretaria Nacional de Direitos Humanos
A Organização Mundial de Saúde
O Conselho Federal de Psicologia
O Conselho Federal de Medicina
O Conselho Federal de Serviço Social
A Associação Brasileira de Psiquiatria
A Associação Brasileira de Imprensa
A Associação Brasileira de Apoio a Vítimas do Preconceito Religioso
A Federação Nacional de Jornalistas

Isto para não citar a Declaração Universal dos Direitos Humanos e, mais especificamente quanto ao preconceito e à discriminação, a Declaração Internacional de Durban, das quais o Brasil é signatário... 

Em nosso país, tantos outros organismos da sociedade civil já estenderam sua mão e, cada qual a seu tempo, encarnaram o “bom samaritano” (a metáfora com o excluído pela religião que foi braços de Deus no mundo), no que concerne ao entendimento que as pessoas devem ser respeitadas em sua dignidade e aceitas plenamente em todos os níveis, esferas e âmbitos da vida, o que vale dizer: IGUALDADE E RECONHECIMENTO de seus direitos e deveres. 

A pergunta que MILHARES fazem:

A Igreja continuará a titubear? Igualdade será benefício de alguns?

Jesus é a Chave Hermenêutica para abrir o que nosso entendimento trancou!

Abram-se as portas da Casa de Deus e destranquem os preconceitos e as desculpas que continuam corroborando as ideologias que perpetuam toda forma de opressão e menos valia! Recebam a Cristo de bom grado e não se recusem a entrar na Festa da Graça de Deus... pois teus irmãos, antes perdidos, foram encontrados e reconciliados pelo Pai!

Movimento Episcopaz
Anglicanos Pró-Diversidade & Pela Paz

Foto: Altar da Saint Mary’s Church, Phoenix, Diocese Episcopal do Arizona, paróquia anglo-católica e afirmativamente inclusiva.