27 de novembro de 2013

Fiat Lux sobre a própria diversidade da Igreja ::..



:: Imagens e ícones na beleza da estética anglo-católica, uma faceta historicamente importante na Comunhão Anglicana


Imagens da Peregrinação da Juventude Anglicana ao Santuário de Nossa Senhora de Walsingham com o Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, realizada em Norfolk, agosto de 2013. Neste mesmo dia, pela manhã, ao lado dos anglo-católicos em celebração festiva; à noite, com a ala mais evangelical da Igreja, num show gospel. Como ele mesmo comentou, "mostrando a Unidade da Igreja".


Os iconoclastas e os que desconhecem a História da Igreja Cristã, mormente o Concílio de Niceia e, por que não o de Frankfurt, embora tanto um quanto outro tivessem fortes conotações políticas com disputas de poder entre a Igreja (à época de tais concílios havia apenas Igreja Latina ou Ocidental e a Igreja Ortodoxa ou Oriental) e o Império Romano (mais tarde, prestes a cair, a sua continuidade como Bizantino) não entenderão que as imagens e os ícones pintados, que jamais podem ser adorados, na verdade, podem ser (como são) úteis dispositivos educacionais na compreensão do exemplo que nos legaram santos homens e mulheres. Trata-se de uma questão de conhecimento e ânimo na caminhada da fé. Se assim não fosse –- e para que o princípio de justiça e equanimidade persista –- não faria sentido ter quadros pelas paredes, esculturas, álbuns e portfólios com fotografias ou arquivos gravados em celular e smartphones. Tudo deveria ser anátema. #SóQueNão 


 São Miguel Arcanjo e o dragão (esculturas de bronze de Sir Jacob Epstein)
Cathedral Anglican Church of Saint Michael, Coventry (Inglaterra)


Haja luz sobre a ignorância do conhecimento dos fatos. Mantenhamos a Comunhão, apesar de nossas ricas diferenças. Sigamos na defesa da paz, a começar entre todos os que pensam e creem diferentemente de nós!  Fiat lux!

 
Ricardo Pinheiro
MOVIMENTO EPISCOPAZ
Anglicanos pró-diversidade & pela paz

NOTA: Recomendo a leitura de "A Alta Idade Média", de McKitterick, Roasmond. Oxford: Oxford University Press.

26 de novembro de 2013

A fita branca & os 16 dias ::..



A experiência da Campanha da Fita Branca em outras províncias ::

Líderes anglicanos e comunidades da Austrália, Polinésia, Nova Zelândia, África do Sul e Escócia estão promovendo a campanha do laço branco – um movimento global de homens que assumem um compromisso pessoal para nunca cometer, consentir ou ficar em silêncio sobre a violência contra mulheres.

A Igreja Anglicana do Canadá usa a “Campanha do laço branco” para sensibilizar a questão (ora crescente) da violência na cultura canadense. O Primaz, os Bispos, a Rede Feminina Anglicana Internacional no Canadá, a União de Mães Canadenses e as mulheres da Igreja Anglicana instam as congregações em todo o Canadá para repetir a promessa de fita branca.

As fitas brancas são fixadas nos casacos e nas camisetas (ou em qualquer outro lugar), como um sinal externo de que a violência baseada no gênero não tem lugar na igreja ou na sociedade.

A Comissão de Liturgia da Igreja Anglicana da Austrália desenvolveu ladainhas e outras orações para uso no dia de fita branca (geralmente, o 1º ou 2º dia da campanha com início em 25/11 de cada ano) e relacionados a estas ocasiões. Consulte 'Praying for an End to Violence Against Women'.

25 de novembro de 2013

Uma campanha em favor da dignidade ::..





Igreja Episcopal Anglicana e a campanha pelo fim da violência contra a mulher

Mensagem do novo Bispo Primaz, Dom Francisco Silva, conclamando o povo de Deus a ser fermento, sal e luz no meio do povo, reafirmando nossa fé em Deus Pai e Mãe que a todos acolhe, sem fazer distinção, e que oferece vida plena e dignidade a todas as mulheres, bem como para todas as pessoas.

Leia a mensagem na íntegra aqui.

 

21 de novembro de 2013

Grupo lista 18 razões contra a redução da maioridade penal ::..


Movimento composto por mais de 80 entidades faz campanha contra a PEC 33, em discussão no Senado. Para eles, além de inconstitucional, proposta é inviável. Veja os argumentos apresentados:



1°. Porque já responsabilizamos adolescentes em ato infracional

A partir dos 12 anos, qualquer adolescente é responsabilizado pelo ato cometido contra a lei. Essa responsabilização, executada por meio de medidas socioeducativas previstas no ECA, têm o objetivo de ajudá-lo a  recomeçar e a prepará-lo para uma vida adulta de acordo com o socialmente estabelecido. É parte do seu processo de aprendizagem que ele não volte a repetir o ato infracional.

Por isso, não devemos confundir impunidade com imputabilidade. A imputabilidade, segundo o Código Penal, é a capacidade da pessoa entender que o fato é ilícito e agir de acordo com esse entendimento, fundamentando em sua maturidade psíquica.

2°. Porque a lei já existe. Resta ser cumprida!

O ECA prevê seis medidas educativas: advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. Recomenda que a medida seja aplicada de acordo com a capacidade de cumpri-la, as circunstâncias do fato e a gravidade da infração.

Muitos adolescentes, que são privados de sua liberdade, não ficam em instituições preparadas para sua reeducação, reproduzindo o ambiente de uma prisão comum. E mais: o adolescente pode ficar até 9 anos em medidas socioeducativas, sendo três anos interno, três em semiliberdade e três em liberdade assistida, com o Estado acompanhando e ajudando a se reinserir na sociedade.

Não adianta só endurecer as leis se o próprio Estado não as cumpre!

3°. Porque o índice de reincidência nas prisões é de 70%

Não há dados que comprovem que o rebaixamento da idade penal reduz os índices de criminalidade juvenil. Ao contrário, o ingresso antecipado no falido sistema penal brasileiro expõe as(os) adolescentes a mecanismos/comportamentos reprodutores da violência, como o aumento das chances de reincidência, uma vez que as taxas nas penitenciárias são de 70% enquanto no sistema socioeducativo estão abaixo de 20%.

A violência não será solucionada com a culpabilização e punição, mas pela ação da sociedade e governos nas instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que as reproduzem. Agir punindo e sem se preocupar em discutir quais os reais motivos que reproduzem e mantém a violência, só gera mais violência.

4°. Porque o sistema prisional brasileiro não suporta mais pessoas

O Brasil tem a 4° maior população carcerária do mundo e um sistema prisional superlotado com 500 mil presos. Só fica atrás em número de presos para os Estados Unidos (2,2 milhões), China (1,6 milhões) e Rússia (740 mil).

O sistema penitenciário brasileiro NÃO tem cumprido sua função social de controle, reinserção e reeducação dos agentes da violência. Ao contrário, tem demonstrado ser uma “escola do crime”.

Portanto, nenhum tipo de experiência na cadeia pode contribuir com o processo de reeducação e reintegração dos jovens na sociedade.

5°. Porque reduzir a maioridade penal não reduz a violência

Muitos estudos no campo da criminologia e das ciências sociais têm demonstrado que não há relação direta de causalidade entre a adoção de soluções punitivas e repressivas e a diminuição dos índices de violência.
No sentido contrário, no entanto, se observa que são as políticas e ações de natureza social que desempenham um papel importante na redução das taxas de criminalidade.

Dados do Unicef revelam a experiência mal sucedida dos EUA. O país, que assinou a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, aplicou em seus adolescentes, penas previstas para os adultos. Os jovens que cumpriram pena em penitenciárias voltaram a delinquir e de forma mais violenta. O resultado concreto para a sociedade foi o agravamento da violência.

6°. Porque fixar a maioridade penal em 18 anos é tendência mundial

Diferentemente do que alguns jornais, revistas ou veículos de comunicação em geral têm divulgado, a idade de responsabilidade penal no Brasil não se encontra em desequilíbrio se comparada à maioria dos países do mundo.

De uma lista de 54 países analisados, a maioria deles adota a idade de responsabilidade penal absoluta aos 18 anos de idade, como é o caso brasileiro.

Essa fixação majoritária decorre das recomendações internacionais que sugerem a existência de um sistema de justiça especializado para julgar, processar e responsabilizar autores de delitos abaixo dos 18 anos.

7°. Porque a fase de transição justifica o tratamento diferenciado

A Doutrina da Proteção Integral é o que caracteriza o tratamento jurídico dispensado pelo Direito Brasileiro às crianças e adolescentes, cujos fundamentos encontram-se no próprio texto constitucional, em documentos e tratados internacionais e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Tal doutrina exige que os direitos humanos de crianças e adolescentes sejam respeitados e garantidos de forma integral e integrada, mediando e operacionalização de políticas de natureza universal, protetiva e socioeducativa.

A definição do adolescente como a pessoa entre 12 e 18 anos incompletos implica a incidência de um sistema de justiça especializado para responder a infrações penais quando o autor trata-se de um adolescente.

A imposição de medidas socioeducativas e não das penas criminais relaciona-se justamente com a finalidade pedagógica que o sistema deve alcançar, e decorre do reconhecimento da condição peculiar de desenvolvimento na qual se encontra o adolescente.

8°. Porque as leis não podem se pautar na exceção

Até junho de 2011, o Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei (CNACL), do Conselho Nacional de Justiça, registrou ocorrências de mais de 90 mil adolescentes. Desses, cerca de 30 mil cumprem medidas socioeducativas. O número, embora seja considerável, corresponde a 0,5% da população jovem do Brasil, que conta com 21 milhões de meninos e meninas entre 12 e 18 anos.

Sabemos que os jovens infratores são a minoria, no entanto, é pensando neles que surgem as propostas de redução da idade penal. Cabe lembrar que a exceção nunca pode pautar a definição da política criminal e muito menos a adoção de leis, que devem ser universais e valer para todos.

As causas da violência e da desigualdade social não se resolverão com a adoção de leis penais severas. O processo exige que sejam tomadas medidas capazes de romper com a banalização da violência e seu ciclo. Ações no campo da educação, por exemplo, demonstram-se positivas na diminuição da vulnerabilidade de centenas de adolescentes ao crime e à violência.

9°. Porque reduzir a maioridade penal é tratar o efeito,  não a causa!

A constituição brasileira assegura nos artigos 5º e 6º direitos fundamentais como educação, saúde, moradia, etc. Com muitos desses direitos negados, a probabilidade  do envolvimento com o crime aumenta, sobretudo entre os jovens.

O adolescente marginalizado não surge ao acaso. Ele é fruto de um estado de injustiça social que gera e agrava a pobreza em que sobrevive grande parte da população.

A marginalidade torna-se uma prática moldada pelas condições sociais e históricas em que os homens vivem. O adolescente em conflito com a lei é considerado um ‘sintoma’ social, utilizado como uma forma de eximir a responsabilidade que a sociedade tem nessa construção.

Reduzir a maioridade é transferir o problema. Para o Estado é mais fácil prender do que educar.

10°. Porque educar é melhor e mais eficiente do que punir

A educação é fundamental para qualquer indivíduo se tornar um cidadão, mas é realidade que no Brasil muitos jovens pobres são excluídos deste processo. Puni-los com o encarceramento é tirar a chance de se tornarem cidadãos conscientes de direitos e deveres, é assumir a própria incompetência do Estado em lhes assegurar esse direito básico que é a educação.

As causas da violência e da desigualdade social não se resolverão com adoção de leis penais mais severas. O processo exige que sejam tomadas medidas capazes de romper com a banalização da violência e seu ciclo. Ações no campo da educação, por exemplo, demonstram-se positivas na diminuição da vulnerabilidade de centenas de adolescentes ao crime e à violência.

Precisamos valorizar o jovem, considerá-los como parceiros na caminhada para a construção de uma sociedade melhor. E não como os vilões que estão colocando toda uma nação em risco.

11°. Porque reduzir a maioridade penal isenta o estado do compromisso com a juventude

O Brasil não aplicou as políticas necessárias para garantir às crianças, aos adolescentes e jovens o pleno exercício de seus direitos e isso ajudou em muito a aumentar os índices de criminalidade da juventude.

O que estamos vendo é uma mudança de um tipo de Estado que deveria garantir direitos para um tipo de Estado Penal que administra a panela de pressão de uma sociedade tão desigual. Deve-se mencionar ainda a ineficiência do Estado para emplacar programas de prevenção da criminalidade e de assistência social eficazes, junto às comunidades mais pobres, além da deficiência generalizada em nosso sistema educacional.

12°. Porque os adolescentes são as maiores vitimas, e não os principais autores da violência

Até junho de 2011, cerca de 90 mil adolescentes cometeram atos infracionais. Destes, cerca de 30 mil cumprem medidas socioeducativas. O número, embora considerável, corresponde a 0,5% da população jovem do Brasil que conta com 21 milhões de meninos e meninas entre 12 e 18 anos.

Os homicídios de crianças e adolescentes brasileiros cresceram vertiginosamente nas últimas décadas: 346% entre 1980 e 2010. De 1981 a 2010, mais de 176 mil foram mortos e só em 2010, o número foi de 8.686 crianças e adolescentes assassinadas, ou seja, 24 POR DIA!

A Organização Mundial de Saúde diz que o Brasil ocupa a 4° posição entre 92 países do mundo analisados em pesquisa. Aqui são 13 homicídios para cada 100 mil crianças e adolescentes; de 50 a 150 vezes maior que países como Inglaterra, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, Egito cujas taxas mal chegam a 0,2 homicídios para a mesma quantidade de crianças e adolescentes.

13°. Porque, na prática, a PEC 33/2012 é inviável!!

A Proposta de Emenda Constitucional quer alterar os artigos 129 e 228 da Constituição Federal, acrescentando um paragrafo que prevê a possibilidade de desconsiderar da inimputabilidade penal de maiores de 16 anos e menores de 18 anos.

E o que isso quer dizer? Que continuarão sendo julgados nas varas Especializadas Criminais da Infância e Juventude, mas se o Ministério Publico quiser poderá pedir para ‘desconsiderar inimputabilidade’, o juiz decidirá se o adolescente tem capacidade para responder por seus delitos. Seriam necessários laudos psicológicos e perícia psiquiátrica diante das infrações: crimes hediondos, tráfico de drogas, tortura e terrorismo ou reincidência na pratica de lesão corporal grave e roubo qualificado. Os laudos atrasariam os processos e congestionariam a rede pública de saúde.

A PEC apenas delega ao juiz a responsabilidade de dizer se o adolescente deve ou não ser punido como um adulto.

No Brasil, o gargalo da impunidade está na ineficiência da polícia investigativa e na lentidão dos julgamentos. Ao contrário do senso comum, muito divulgado pela mídia, aumentar as penas e para um número cada vez mais abrangente de pessoas não ajuda em nada a diminuir a criminalidade, pois, muitas vezes, elas não chegam a ser aplicadas.

14°. Porque reduzir a maioridade penal não afasta crianças e adolescentes do crime

Se reduzida a idade penal, estes serão recrutados cada vez mais cedo.

O problema da marginalidade é causado por uma série de fatores. Vivemos em um país onde há má gestão de programas sociais/educacionais, escassez das ações de planejamento familiar, pouca oferta de lazer nas periferias, lentidão de urbanização de favelas, pouco policiamento comunitário, e assim por diante.

A redução da maioridade penal não visa a resolver o problema da violência. Apenas fingir que há “justiça”. Um autoengano coletivo quando, na verdade, é apenas uma forma de massacrar quem já é massacrado.

Medidas como essa têm caráter de vingança, não de solução dos graves problemas do Brasil que são de fundo econômico, social, político. O debate sobre o aumento das punições a criminosos juvenis envolve um grave problema: a lei do menor esforço. Esta seduz políticos prontos para oferecer soluções fáceis e rápidas diante do clamor popular.

Nesse momento, diante de um crime odioso, é mais fácil mandar quebrar o termômetro do que falar em enfrentar com seriedade a infecção que gera a febre.

15°. Porque afronta leis brasileiras e acordos internacionais

Vai contra a Constituição Federal Brasileira que reconhece prioridade e proteção especial a crianças e adolescentes. A redução é inconstitucional.

Vai contra o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) de princípios administrativos, políticos e pedagógicos que orientam os programas de medidas socioeducativas.

Vai contra a Doutrina da Proteção Integral do Direito Brasileiro que exige que os direitos humanos de crianças e adolescentes sejam respeitados e garantidos de forma integral e integrada às políticas de natureza universal, protetiva e socioeducativa.

Vai contra parâmetros internacionais de leis especiais para os casos que envolvem pessoas abaixo dos dezoito anos autoras de infrações penais.

Vai contra a Convenção sobre os Direitos da Criança e do Adolescente da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Declaração Internacional dos Direitos da Criança compromissos assinados pelo Brasil.

16°. Porque poder votar não tem a ver com ser preso com adultos

O voto aos 16 anos é opcional e não obrigatório, direito adquirido pela juventude. O voto não é para a vida toda, e caso o adolescente se arrependa ou se decepcione com sua escolha, ele pode corrigir seu voto nas eleições seguintes. Ele pode votar aos 16, mas não pode ser votado.

Nesta idade ele tem maturidade sim para votar, compreender e responsabilizar-se por um ato infracional.

Em nosso país qualquer adolescente, a partir dos 12 anos, pode ser responsabilizado pelo cometimento de um ato contra a lei.

O tratamento é diferenciado não porque o adolescente não sabe o que está fazendo. Mas pela sua condição especial de pessoa em desenvolvimento e, neste sentido, o objetivo da medida socioeducativa não é fazê-lo sofrer pelos erros que cometeu, e sim prepará-lo para uma vida adulta e ajuda-lo a recomeçar.

17°. Porque o Brasil está dentro dos padrões internacionais

São minoria os países que definem o adulto como pessoa menor de 18 anos. Das 57 legislações analisadas pela ONU, 17% adotam idade menor do que 18 anos como critério para a definição legal de adulto.

Alemanha e Espanha elevaram recentemente para 18 a idade penal e a primeira criou ainda um sistema especial para julgar os jovens na faixa de 18 a 21 anos.

Tomando 55 países de pesquisa da ONU, na média os jovens representam 11,6% do total de infratores, enquanto no Brasil está em torno de 10%. Portanto, o país está dentro dos padrões internacionais e abaixo mesmo do que se deveria esperar. No Japão, eles representam 42,6% e ainda assim a idade penal no país é de 20 anos.

Se o Brasil chama a atenção por algum motivo é pela enorme proporção de jovens vítimas de crimes e não pela de infratores.

18°. Porque importantes órgãos têm apontado que não é uma boa solução

O UNICEF expressa sua posição contrária à redução da idade penal, assim como à qualquer alteração desta natureza. Acredita que ela representa um enorme retrocesso no atual estágio de defesa, promoção e garantia dos direitos da criança e do adolescente no Brasil. A Organização dos Estados Americanos (OEA) comprovou que há mais jovens vítimas da criminalidade do que agentes dela.

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) defende o debate ampliado para que o Brasil não conduza mudanças em sua legislação sob o impacto dos acontecimentos e das emoções. O CRP (Conselho Regional de Psicologia) lança a campanha Dez Razões da Psicologia contra a Redução da idade penal CNBB, OAB, Fundação Abrinq lamentam publicamente a redução da maioridade penal no país.

Mais de 50 entidades brasileiras aderem ao Movimento 18 Razões para a Não redução da maioridade penal.

Fonte: Congresso em Foco 

Crédito da imagem para Rádio Progresso.


20 de novembro de 2013

Mulheres clérigas e a absurda liberdade de Deus chamar quem Ele quer



Foto por Nina Boe


:: Com o passar dos anos a maturidade e uma certeza: Deus (que não tem gênero) sabe ser Deus!


E pensar que não muitos anos atrás, lá pelos idos dos anos 70 e 80 altos debates se levantaram na Igreja de Cristo sobre a possibilidade de ordenação feminina, concedendo a elas os mesmos privilégios masculinos... como se Deus, logo quem, Deus se apequenasse com a formação sócio-cultural que carregamos...


No entanto, infelizmente, milhares e milhares de cristãos por todo o mundo ainda se confessam – orgulhosamente, diga-se – defensores de conveniências sobre as literalidades bíblicas. Sim, é conveniente crer que a mulher não seja mais objeto ou propriedade de ninguém, no entanto, é conveniente crer que a mulher não possa pastorear ou superintender comunidades com homens (o que "eles" chamam de exercício de autoridade sobre "o cabeça", isto é, o homem). Estranho, não? Para eles, entretanto, é conveniente que permaneça assim...


Dessa forma, seguem num outro ritmo, crendo convictamente numa espécie de preferência ou primazia divina pelo masculino tal como escrito em muitos textos bíblicos (que retratam uma época em amadurecimento, ou seja, um conjunto de categorias de formação sócio-política-cultural). Não é fácil desconstruir este edifício de categorias aprendidas, bem sabemos. Imagine uma criança fazendo um trabalho escolar numa escolinha do pequeno estado sulista norte-americano do Arkansas, desenhando um presidente negro em pleno anos 60?! Trazendo para nossa realidade, imagine uma criança, moradora de qualquer cidade em nosso país, na mesma época, fazendo um trabalho escolar e desenhando uma mulher com faixa presidencial no Palácio do Planalto!


O que se diria à vista dessas coisas? Alienação, inversão de valores, fantasia ou apenas um sonho a ser tornado realidade numa outra época, distante das sombras do que estava sendo revelado?


Obviamente somos sujeitos da própria História, caminhando conforme o olhar da porta aberta dentro de uma determinada época. Mas também somos homens e mulheres de fé, que não tememos ousar e olhar para além da fresta da porta entreaberta!


Não é fácil confiar e crer contra a esperança. Não é fácil crer na liberdade de Deus, que assusta bem mais que os textos de Clarice Lispector são capazes de imaginar. Não é e não foi fácil abrir mão do peso da "formatação cultural" e saltar na fé, discernindo e crendo que Deus é o mesmo muito antes da época das cavernas, assim como ao longo de todas as Eras onde a mulher não era contada nos censos (pois era "coisa", "objeto", "posse de seu marido ou pai") e, mesmo depois de contada nos censos, impedida de exercer plenamente seu papel cidadão e, por que não, cristão.


Até bem pouco tempo atrás, já na era de informações tecnológicas em evidência, adentrando nos anos 90, é que os olhos de muitos foram descortinados e o lençol dos preconceitos (numa referência ao lençol com alimentos supostamente impuros que descia na visão de Pedro em Jope), pouco a pouco, conforme a medida de fé, de se entregar ao mistério da Palavra (para além do escrito!), foi sendo revelado e eliminado das consciências pela Graça de Deus.


Deus sabe ser Deus; nós é que ainda estamos aprendendo Nele a sermos filhos e filhas provados e aprovados, diariamente. Talvez por isso, alguns entre nós ainda O vejam como Aquele preso e encarcerado aos "textos sagrados", às nossas "convenções culturais" (que são acordos construídos a cada época), à nossa "moral" (que é também uma construção, um acordo da maioria sobre a minoria), a tanta coisa. Ora, Deus que é Deus não está encarcerado, mas é tão livre quanto o vento. Todavia, Ele é o Senhor dos ventos, das Épocas, das Eras, da História... Ele é "o" Senhor sobre tudo e todos; e nada, absolutamente nada, pode impedir o seu agir!


"...agindo eu, quem o impedirá?", pergunta a profecia de Isaías.


Quem é que pode impedir Deus de chamar e capacitar a quem Ele, o Soberano, quiser? Quem?


Ricardo Pinheiro
MOVIMENTO EPISCOPAZ
Anglicanos pró-diversidade & pela paz
19/11/2013

NOTA: Você poderá ler este artigo em nossa página no facebook, acessando e curtindo aqui.

19 de novembro de 2013

Palavras do Episcopaz acerca de bíblia e sexualidade


Parte integrante do material entregue a cada delegado no Sínodo da IEAB em 16/11/2013.

Querido irmão, querida irmã.

 Você deve ter chegado ao Sínodo estupefato(a) e tenso(a). A Internet e as redes sociais tornam qualquer discussão muito mais ampla e, possivelmente, polarizada.

Hoje discutimos abertamente sobre a natureza da aceitação de pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais) na vida da Igreja. Mais especificamente, discutimos sobre a possibilidade (ou não) de termos bênçãos de uniões entre pessoas do mesmo sexo que sejam pautadas por fidelidade, monogamia, amor mútuo e compaixão, à semelhança do matrimônio heterossexual, entre homem e mulher, mulher e homem.

Em declarações oficiais, nossas autoridades eclesiais têm falado muito sobre isso. Vejam só.

As relações sexuais, exercidas no contexto do amor e do respeito mútuo, não só devem ser aceitas, mas também consideradas como as coisas boas que Deus criou.

Carta Pastoral “Sexualidade Humana” dos Bispos, 1997


Entendemos que a sexualidade humana é dom de Deus e que deve ser vivenciada em paz, liberdade, amor e respeito ao próximo. Que a Igreja deve respeitar a privacidade das relações afetivo-sexuais de seus membros, sejam eles do clero ou do laicato.

II Consulta Nacional sobre Sexualidade Humana da IEAB, 2004


Reafirmamos que cremos na inclusão. O estabelecimento de fronteiras ou divisões entre as pessoas, os grupos e os povos é fruto da exclusão que nos cega dentro de nossos limites e do dogmatismo fanático e inibidor da liberdade humana. Sob o amor ilimitado de Deus devemos construir os alicerces para a concretização de nossos sonhos. O Espírito Santo age por meio deles na construção de uma nova humanidade. Esta nova humanidade se realiza na aspiração de Nosso Senhor Jesus Cristo de que “todos sejam um”.

Carta Pastoral “Sexualidade Humana” dos Bispos, 2007


Reconhecemos que tal decisão é resposta à prece que sempre fazemos em nossos ritos de Oração Matutina/Vespertina … Assim, afirmamos nosso compromisso pastoral para com essas pessoas. Cremos que a promessa declarada no rito do batismo: “És de Cristo para sempre!”repousa sobre todos nós e, portanto, não nos cabe decidir quem pertence ou não a Deus. 


Neste momento de mudança, reafirmamos nosso compromisso de ser uma Igreja que Acolhe e Serve, reconhecendo o sensus fidelium declarado na última CONFELIDER: defender os Direitos Humanos e o Direito à Cidadania plena. Entendemos que esse compromisso é decorrência dos votos que fazemos perante o altar em nossa confirmação: “Defenderás a justiça e a paz para todos, respeitando a dignidade de todo ser humano” Louvamos a Deus pelos avanços conquistados, entendendo que fazem parte da sutil e gradativa inspiração do Espírito Santo para transformar nossa sociedade. 


Conclamamos todos os anglicanos e as anglicanas a acolher as pessoas que nos buscam, a orar por elas e acompanhá-las pastoralmente, entendendo que a Igreja é um edifício ainda em construção e que a totalidade de sua membresia só é conhecida pelo próprio Cristo, Senhor da Igreja.

Carta Pastoral


“Comprometidos com a Dignidade Humana” do Bispo Primaz, sobre a decisão de reconhecimento de uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo, 2011


Nossa pastoral aceitou o desafio de proclamar que todas as pessoas são de Cristo. E também o desafio de buscar e acompanhar pastoralmente a todas as pessoas que se chegam a nós enquanto igreja, buscando um espaço onde possam crescer no Evangelho sem serem julgadas quanto à sua orientação sexual. Muitos de nós viemos de outras igrejas. Muitos de nós sabemos o quanto há pessoas nascidas e criadas na Igreja, mas que ao chegarem à puberdade, descobrem-se atraídas por pessoas do mesmo sexo, algo que nunca pediram ou desejaram. Simplesmente aconteceu.


Nós entendemos que não é lógico defender que a homossexualidade (e a bissexualidade) não se trata de mera perversão ou possessão demoníaca, e sim apenas uma variação da sexualidade humana, que ocorre em parte da humanidade. É essa humanidade, em sua amplitude, que somos chamados a amar.



À luz do método anglicano (Escrituras-Tradição-Razão), muitos de nós chegamos à conclusão de que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, pautados pelos Frutos do Espírito, pela fidelidade, monogamia e pelo amor mútuo não somente não encontram condenação por parte de Deus como também devem ser celebrados pela igreja, com a mesma compaixão e alegria com que celebramos o matrimônio de pessoas heterossexuais, seja em primeiras núpcias, seja após divórcio(s), seja entre jovens férteis, seja entre pessoas da terceira idade.


Muitos heterossexuais não escolhem poder se casar. Eles têm a oportunidade. Já nossos membros em relacionamentos do mesmo gênero podem até se casar no civil, mas não no religioso, pois a IEAB não lhes oferece o rito sacramental. Entendemos que negar tal rito a essas pessoas apenas com base no gênero dos nubentes é discriminar parte dos batizados. Ou seja: é discriminar parte do Corpo de Cristo.


Nossa teologia do Matrimônio vem evoluindo. Durante boa parte da era cristã, tratava-se meramente de um contrato, sem sentimentos e por conveniência. Muitos de nossos pais e mães na fé se casaram assim. Mas chegamos a outras conclusões.


Entendemos que muitas pessoas têm rejeições genuínas à proposta de bênção matrimonial para casais do mesmo sexo. Essas rejeições baseiam-se, sobretudo, no entendimento de seis ou sete versículos bíblicos esparsos, que são interpretados por muitos como condenações divinas à homossexualidade. E também acreditamos que não houve ainda o diálogo necessário sobre Bíblia, sobre a natureza do matrimônio e sobre o que é incluir todas as pessoas no Corpo de Cristo.


É por isso que oferecemos a cada um de vocês este material. Leiam esses artigos. Entendam o que pensamos. Discutam. Permitam-se enxergar o nosso ponto de vista. Estamos abertos a enxergar o seu também.


E, por favor, orem por nós. Pois estamos também discernir o que o Espírito Santo quer nos falar como Igreja. Tenhamos coragem de olhar nos olhos uns dos outros e enxergar a todas as pessoas como irmãos. Ousemos amar até mesmo aquelas pessoas de quem (muito) discordamos.


 Em Cristo, que nos torna um.

Equipe Episcopaz.


NOTA: Se deseja obter o material que foi distribuído em nosso Sínodo (novembro/2013), acesse por aqui o site do Palavra Aberta.


17 de novembro de 2013

Fé & coerência




Para que o "ASSIM COMO" da Oração do Pai Nosso faça, verdadeiramente, sentido.
 

Ao contrário, se apenas eu ou você temos direitos mas nossos irmãos não, deixou de carregar a subversão do reino de Deus (que iguala todos os seres humanos e dá a mesma paga aos trabalhadores da vinha, não importa qual a carga horária que tenham trabalhado no campo de seu senhor; que dá ao "sim, eu creio" das meretrizes a distinção de preceder os experts em lei e cânones com o seu orgulhoso "pela aparência já sabe que cremos"; entre muitos outros exemplos ensinados pelo próprio Cristo). Se o "ASSIM COMO" da Oração do Pai Nosso não for verdade que se pratica no dia a dia, na melhor das hipóteses, transformou-se em poesia religiosa declamada com reverência...


Pense nisso... ser cristão é escolher o Caminho com Porta Estreita, pois não é fácil amar (respeitar e encarar que não é menos salvo) quem é diferente de nós!


P.S.: Antes que se pergunte, o casal na imagem é episcopal (anglicano) formado por um membro do clero e do laicato.


R. P.
MOVIMENTO EPISCOPAZ
Anglicanos pró-diversidade & pela paz
16/11/2013

Eleito o novo Bispo Primaz da IEAB




Dom Francisco Silva, novo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil



Neste sábado os delegados junto ao Sínodo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil elegeram Dom Francisco (imagem à dir.) o novo bispo primaz. Louvamos a Deus por sua vida, a fim de que seja inspirado no Cristo que andava e comia com publicanos e pecadores, anunciando o Evangelho a todas as pessoas, sem distinção alguma entre elas. De igual modo, somos gratos a Dom Mauricio (imagem à esq.) pelos anos que serviu a Deus e ao seu povo como bispo primaz da IEAB. Seu posicionamento em favor dos direitos humanos, da diversidade e da própria inclusão serão legados inestimáveis. Soli Deo gloria!

15 de novembro de 2013

MUDAR PARA CONTINUAR AVANÇANDO






Editorial: A Unidade da Igreja e a defesa da dignidade do ser humano face aos diferentes clamores de seu povo.


Enquanto pastoral temos o cuidado para não incorrer na ilegitimidade canônica e falar “em nome” da Igreja, da Diocese ou de pessoas num universo anglicano. Informamos e levamos nossos amigos e aliados a refletirem por si mesmos sobre os fatos e as análises dos fatos nas matérias postadas.

É notório para os que se aproximam de nossa pastoral a preocupação que temos com a fundamentação teológica de nossos argumentos. Não podemos ser levianos nem imprudentes em matéria de fé. Há que se preservar não apenas o espírito de nossas tradições mas também nossos documentos oficiais (credos, cânones e estatutos, por exemplo).

Por esta razão, em que pesem os esforços para contribuir com o debate em torno do tema “matrimônio igualitário” não somos ingênuos a ponto de crer que mudanças na vida da Igreja nascem da noite para o dia. Nunca foi assim no Cristianismo. Os Concílios na História da Igreja extravasavam anos e, ainda assim, nem sempre carregaram absoluto consenso teológico. E matérias como o “matrimônio igualitário” e a bênção dessas uniões estamos convictos que o Sínodo de nossa Igreja a ser realizado em novembro próximo poderá dar um grande passo ouvindo clamores de parte de seu povo, em prol da defesa da dignidade de muitos irmãos que vivem suas respectivas relações afetivas de forma sincera, cristã e comprometidamente fiel, caso venha analisar e debater a questão.

No entanto, é imperioso amadurecer toda e qualquer iniciativa de mudança na Igreja com fundamentação teológica e respeito para com todos, inclusive para com aqueles que exercem dignamente o direito de discordar por questão de consciência e fé. Assim aconteceu quando debateram-se durante mais de uma década os argumentos com vistas a ordenação feminina. A Igreja saiu vitoriosa no alcance da maturidade, à luz da fé, para compreender que todas as pessoas são iguais em direitos e deveres diante de seu Senhor.

Por essa razão, deixamos claro que nosso papel não é “falar em nome de”, mas apenas o de fomentar o debate, abrindo a perspectiva para entender que as mudanças são necessárias, embora não possam comprometer a Unidade e a Comunhão da Igreja nem ser atropeladas sem o devido exame teológico e o estímulo para que as consciências sejam enriquecidas por meio dele. Um dos muitos exemplos que trazemos à baila dentro da Comunhão Anglicana, neste aspecto da defesa das bênçãos sobre as uniões de mesmo sexo, ocorreu na Igreja Anglicana da Austrália, a qual é dividida em Províncias sob a jurisdição canônica de Arcebispos. Em meados de outubro deste ano a Diocese de Ballarat, uma das últimas cinco dioceses que não ordenavam mulheres ao presbiterado, aprovou por maioria de seus delegados tal mudança. Das mais de vinte dioceses australianas apenas três possuem bispas. A Diocese de Perth aprovou, no início de outubro, a bênção nas uniões de pessoas de mesmo sexo. Outras Dioceses na mesma Província da Austrália Ocidental [dentro da qual juridiciona-se a diocese de Perth] já não admitem o rito. O interessante em todo este universo utilizado como exemplo é o fato que todas as dioceses convivem tão harmoniosa quanto diversamente debaixo da mesma Comunhão e obediência aos seus Cânones Gerais e à sua Constituição, que, inclusive atribui autoridade às dioceses para determinadas matérias (Canon Concerning Authority on Certain Matters, 1989). O cuidado eclesial com a Unidade e a Comunhão são vitais. Consciências são respeitadas quando as decisões da Igreja não aviltam a compreensão de seus clérigos acerca de temas para os quais a matéria é de fé, portanto, subjetivamente discernida como ordem e verdade.

Assim, para nós, cabe-nos a reflexão quanto ao papel do que desejamos num tema tão importante quanto delicado para a compreensão de muitos que estarão no próximo Sínodo Geral de nossa Igreja. Todavia, sabemos que o diálogo permanente e o respeito pelo direito do outro resulta no estreitamento das distâncias, inclusive nas divergentes questões de fé. Este é um dos princípios que nós, anglicanos, sabemos valorizar por uma questão histórica e de identidade. A aplicação deste princípio – e de muitos outros –, buscando a Unidade e a Comunhão da Igreja e, consequentemente, a Glória de Cristo, Seu Senhor, o qual é Deus de todos, e não apenas de alguns, vale-nos para compreender que tornar imperativa a todo o clero, independentemente de consciência, uma mudança como a da bênção para as uniões de pessoas do mesmo sexo pode não ser a mais democrática e refletida decisão. Há que se buscar no diálogo o equilíbrio, o que vale dizer, não caminhar a favor dos extremos.

Todavia, urge reconhecer a legitimidade do direito aos casais homoafetivos dentro da Igreja, até por uma questão de honestidade para com os solenes votos que fazemos na renovação da aliança batismal (expostos no Livro de Oração Comum, pp. 178-179), quando reafirmamos o compromisso da defesa da dignidade de todos (ou seriam quase todos, a critério de alguns óbices que carregamos?).

Bem sabemos, contudo, que os que defendemos a plena dignidade para todo o ser humano não carregamos a insensatez de deixar de lado o direito fruto dos princípios que norteiam a fé de que é imperioso continuar valorizando nossa Unidade e Comunhão. Por isso mesmo, buscamos o “caminho do meio”, proposto por Jesus, aprovando-se que tal medida, inquestionavelmente legítima e perfeitamente cabível na evolução e nos desdobramentos do cenário social dentro do qual a Igreja caminha, possa oferecer ao clero e às paróquias que arguirem questão de consciência a garantia de não incorrer em desobediência aos Cânones Gerais e Diocesanos, garantindo-se, quiçá, tal como já existe nos Estados Unidos e no Canadá, o mínimo de uma paróquia dentro de cada Diocese, a critério de seus bispos, que possa realizar as mencionadas bênçãos matrimoniais até que a matéria seja exaustivamente reexaminada no próximo Sínodo e a Igreja possa, de uma vez por todas, abrir-se como Luzeiro cujos raios e luminosidade atingem a todos e todas, de modo que não haverá mais sujeitos com menos valia ou tratamento diferenciado em razão de sexo, cor, origem e orientação sexual. Infelizmente, em que pese nosso “ethos” em prol dos direitos humanos, ainda carregamos alguns sinais que afrontam, na prática, os solenes votos de renovação da aliança batismal por não tratarmos a todos com os mesmos direitos (prova maior não há que a falta da aprovação dos ritos para bênçãos matrimoniais aos casais homoafetivos!).

Importante, insistimos, é que não se perca de vista o legítimo direito, porém, que a mandato seu praecepto non est inchoandum” (Não se deve começar do mandado ou do preceito), mas a partir do natalício de uma nova compreensão sobre todos os possíveis resistentes, a qual só é produzida por obra do Espírito Santo, Aquele que “é” e que “opera” a Unidade da Igreja. Em relação a esta “obra” ou “função” do Espírito em relação à Igreja, é oportuno nos lembramos que não se trata de mera assistência, mas uma relação essencial e constituinte da Igreja como afirma Santo Ambrósio. A Igreja é diversa, é plural, caminha com seus santos e santas no mundo, por isso mesmo ela é antes de tudo, Una, Santa, Católica e Apostólica. A Unidade da Igreja, portanto, é o coroamento da Graça que pulsa e lhe sobressai antes mesmo de lhe colocar “separada para Cristo” (por isso mesmo, Santa); ou, ainda, universal para todo aquele que crê (por isso mesmo, Católica).

Entendemos que o convencimento não virá da persuasão de nossos argumentos ou como mero desdobramento do que a sociedade já tenha alcançado, em termos de conquistas constitucionais (ou das interpretações do Judiciário acerca delas), mas pelo agir da Graça de Deus nos corações de seus filhos e filhas, tal como o fez com Pedro na revelação em Jope: "Não chame impuro ao que Deus igualmente santificou" (Atos 10,15). Não chamemos em nossos corações de “impuro”, de “indecente”, de “anormal”, de “estranho”, de “ignomínia”, aquilo que Deus igualmente santificou. Nada mais é santo que o amor.  

Muitas vezes as mudanças de posicionamento são necessárias para se continuar avançando num tema delicado conquanto urgente. As implicações de nossa “inclusão” no que se refere à alteração do Cânon, aprovando o rito da bênção nas uniões de mesmo sexo, leva em conta não apenas nossa confiança na Graça que, em Cristo e na Unidade de Cristo, já reconciliou e santificou, mas também a própria diversidade da Igreja. Não é Paulo, o apóstolo da Graça, quem retoricamente nos põe pelo avesso ao perguntar: “E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo!” (I Coríntios 12,19-20). E se todos nós fôssemos negros em meio à diversidade das cores da Criação? Há genuinamente Corpo se nos fecharmos às demais cores, criando distinções entre uma e outra na hora de oferecer ritos e bênçãos? E se todos nós fôssemos heteroafetivos em meia à diversidade da própria sexualidade humana, bênção da Criação? Há genuinamente Corpo se continuarmos impedindo ou nos silenciando quanto aos direitos de nossos irmãos e irmãs que se amam? As perguntas apenas carregam a mesma retórica paulina...

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo, pela noiva que é a Sua Igreja; posto que nela cabem todas as realidades da Criação, o que vale dizer, cabem todos os corações e todas as consciências nos seus mais diversos sinais de expressão e fé. Assim cremos e por isso mesmo seguimos pelo Caminho proposto por Jesus, o do equilíbrio e da reflexão que contempla os semelhantes em meio à nossa individuação, cientes de que Um só e o mesmo Espírito há de guiar cada um, até que cheguemos todos ao pleno convencimento do que seja bom, urgente e necessário realizar no cumprimento de nossos votos de renovação da aliança batismal, defendendo a dignidade de todos os seres humanos, a fim de continuarmos a dar glória somente a Deus.

Avanços em meio à diversidade de opiniões, geralmente, acontecem quando há mudanças. De todos os lados. Mudanças são resultado da fé que anima a Igreja. Por isso mesmo, cremos que é tempo de seguir com fé pela aprovação do rito para bênção das uniões, de todas as uniões nascidas na sinceridade do coração e plantadas no solo firme do amor, sem ferir a consciência de ninguém. Nada mais justo, racional e salutar que se abra a possibilidade de discordar (e, discordando, arguir o direito de não vilipendiar a consciência, não realizando o ato), sem contudo deixar de respeitar e permitir que seja realizado por outrem.

Acima de tudo, porém, confiamos [com + ] de que a Unidade e a nossa Comunhão são sinais visíveis na Missão da Igreja de Cristo e que nada impedirá que o Espírito Santo continue realizando a obra de santificar e seguir santificando corações e consciências, de tal modo que preservemos a Unidade, que glorifica não o homem (com seus medos, pudores e pré-conceitos arraigados), mas apenas a Cristo, o qual se entregou por todos e todas, até mesmo aqueles que alguns de nós ainda consideram menos dignos de serem tratados com o “assim como” da inigualável Oração do Pai Nosso.

Rio de Janeiro, 26 de outubro de 2013.

Ricardo Pinheiro
Coordenador do Movimento Episcopaz
Anglicanos pró-diversidade & pela paz

13 de novembro de 2013

Dilemas da prática missionária







Carlos Eduardo Calvani


Este texto é continuidade de uma reflexão anterior na qual escrevi sobre algumas crises que vivenciamos na IEAB – crise numérica; crise financeira; crise da Proclamação e crise da motivação. (http://www.paroquiadainclusao.com/site/?p=13911 ).

Agora chegando ao final de um período de três anos de iniciativa missionária em Campo Grande, compartilho algumas reflexões que ocupam meus pensamentos no travesseiro e no momento das orações.

Por que fazer missão? – No texto anterior observamos que falta em nossa Igreja motivação e iniciativa para abrir novas comunidades em lugares ainda não alcançados. Em alguns setores de nossa Igreja ainda persiste uma noção de que missão visa batizar as pessoas e que, se a maioria dos cidadãos brasileiros já é batizada na Igreja Romana ou em outra igreja evangélica, não há necessidade de qualquer iniciativa para levar a Igreja Episcopal Anglicana a esses lugares. Houve época em que a IEAB se expandia no Brasil apenas pelo fenômeno das migrações. Quando uma ou duas famílias episcopais mudavam para cidades em que não existia a Igreja, solicitavam o acompanhamento pastoral para batismos, casamentos, confirmações e cultos eventuais. Em muitas dessas regiões, outras pessoas eram atingidas por esses momentos e acabam se integrando a nossas pequenas comunidades. A expansão e crescimento da Igreja acontecia muito mais por milagre divino mesmo que propriamente por iniciativas planejadas por parte da estrutura. A frase de uma liderança eclesiástica nos anos 50 ainda parece estar viva para muitos: “o que é que a Igreja Episcopal está fazendo no Brasil? Aqui não há espaço nem lugar para nós. O Brasil já é católico…”

Mas essa é uma concepção errônea e limitada de missão, pois a missão abrange presença, serviço, liturgia, testemunho profético, etc. Os primeiros missionários episcopais-anglicanos que vieram para o Brasil estavam imbuídos de um nobre ideal – sabiam, por experiência própria, na América do Norte, que o campo religioso não é fechado e que há pessoas que, mesmo tendo sido batizadas na Igreja Romana ou em outra igreja evangélica, afastam-se e perdem os referenciais da fé. Os motivos podem ser diversos – falta de educação cristã ou geralmente decepções na vivência cristã. Contudo, muitas dessas pessoas estão abertas a propostas alternativas de vivência da fé. O modo como a Igreja Episcopal apresenta o evangelho, com seriedade, solenidade, compromisso social e sem moralismos apresenta-se como uma alternativa muito interessante a várias pessoas.

Essa foi uma das motivações que nos fizeram tentar iniciar uma comunidade em Campo Grande (MS) após uma experiência em Vitória (ES). Lamentávamos o fato de essas importantes cidades (capitais) não contarem com a presença episcopal-anglicana. Além disso, conhecemos a estratégia do apóstolo Paulo em Atos: fixar seus esforços em cidades maiores da época, criando comunidades que posteriormente iniciariam seus próprios esforços para atingir as cidades menores.

O difícil início – Quando aqui chegamos em março de 2010, não tínhamos qualquer contato. Inicialmente, solicitei a todos os bispos e a vários colegas do sul que tentassem se informar sobre famílias episcopais-anglicanas residentes em Campo Grande. Há muitos CTGs na cidade e imaginávamos que, dentre a colônia gaúcha poderíamos encontrar algumas famílias episcopais. Porém, poucos responderam.

A primeira celebração foi assistida apenas por curiosos. Nos domingos seguintes a curiosidade diminuiu e durante três ou quatro meses, apesar dos muitos convites, apenas nossa família celebrava a liturgia anglicana em louvor a Deus. Houve momentos de muito desânimo, mas sempre nos tranqüilizávamos pensando ser ainda o tempo da semeadura.

Aos poucos tínhamos um grupo regular oriundo de igrejas evangélicas pentecostais, decepcionadas com a falta de profundidade teológica dessas comunidades ou oriundos da Igreja Católica, mas por serem descasados e por outros motivos, não encontravam espaço ali.

O problema do horário – Uma das questões mais difíceis de administrar no início (na verdade, até hoje) é o problema do horário. Já tivemos várias experiências com horários diferentes – 18:30 ou 10:00 ou 19:00 (quando nos reuníamos no hotel) ou 09:30 (horário atual) e continuaremos tentando horários alternativos que sejam oportunos pelo menos à maioria da comunidade.

Contudo, parece já estar internalizado culturalmente em muitas pessoas que há momentos e lugares em que se pode chegar atrasado, e outros não; Escolas, faculdades, cinema, jogos de futebol, programas de TV geralmente sempre começam no horário e as pessoas chegam antes do início. Mas há outros lugares – e o culto religioso é um deles – em que as pessoas de antemão já desconfiam que nunca começa no horário, e por isso sempre chegam atrasados. Nossa disciplina, porém, insiste em iniciar o culto no horário marcado mesmo com duas ou três pessoas presentes. Muitos chegam já no momento do sermão, e perdem os ritos iniciais de louvor e glorificação.

Identidade litúrgica – Em uma comunidade cujas pessoas são oriundas de diferentes estilos eclesiásticos, a dinâmica do culto sempre é problemática. As “preferências e estilos musicais” são muito variados. Há pessoas oriundas da Igreja Romana e que vagamente recordam alguns responsos litúrgicos ou então conhecem apenas as canções dos padres-cantores. As pessoas oriundas de igrejas evangélicas já não conhecem sequer os hinos clássicos do protestantismo, e seu referencial musical são os “cânticos-gospel”.

Tentamos aproveitar algumas dessas canções, mas as reclamações sempre surgiam. Algumas reclamavam que “não conheciam os hinos”. Como porém, conhecerão, se não cantarem? Outras diziam simplesmente que “não gostavam”

Essa constatação serviu como um alerta para não cair em “armadilhas”, tais como as sugestões de inserir cânticos gospel dessas comunidades ou momentos de “oração espontânea”. Alguns argumentam que isso é necessário para “atrair jovens”. Logo percebi que se permitíssemos, aos poucos a liturgia anglicana seria subvertida e nos transformaríamos em uma igreja igual às outras. A fim de evitar problemas futuros, nos domingos seguintes passei a preparar as liturgias como se estivesse em uma Catedral. Embora fôssemos um pequeno grupo, utilizamos LOCs e Hinários, bem como a gravação de hinos clássicos em MP3 para serem usados durante as celebrações. Algumas pessoas estranharam e não retornaram.

Constatamos uma grande dificuldade na educação musical. A maioria das pessoas acostumou-se às canções comerciais (sertanejo-universitário, principalmente) e não são capazes de perceber a riqueza de canções elaboradas com maior técnica musical. Para o estranhamento de muitos, às vezes optamos por trechos de música erudita, mas poucos se abrem à beleza da música. Apreciar música também é um ato de culto. A música requer de nós dedicação total de nossos sentidos (“Sursum corda” – corações ao alto!), requer tempo e entrega, mas em nosso mundo corrido e agitado, poucos estão dispostos a viver essa experiência.

Perdas e decepções – Estabelecer laços de amizade com as pessoas sempre é enriquecedor, mas também traz ambigüidades quando a convivência é afetada.
Nossa experiência tem mostrado que as pessoas se afastam por diferentes motivos:
a) Insatisfação religiosa – Muitos se afastam porque idealizaram encontrar na Igreja Anglicana algo que não oferecemos – resposta a todos os problemas da vida, resolução de problemas familiares ou financeiros ou simplesmente a emotividade do culto.

Quando identificamos isso, começamos a dizer nos cultos e anunciar no site: “O que temos a oferecer é a partilha de nossa fé, de nossa busca e de nossa comunhão. Você não ficará mais rico por vir aqui. Não ficará curado por vir aqui. Não resolverá seus problemas familiares por vir aqui. Mas aqui você poderá encontrar fé para lidar com essas situações e, aos poucos, alcançará discernimento para visualizá-las melhor. Se você busca algo além disso – diversão religiosa, prosperidade material ou um lugar para reforçar seus preconceitos – não perca seu tempo nem nos procure! Essa é uma Igreja para gente séria, comprometida com a justiça e que sabe o que quer”;

b) Idealização de uma Igreja “perfeita” – Também há aquelas pessoas que idealizam a Igreja como se ela fosse uma comunidade perfeita, de pessoas sempre santas e sem problemas. Quando percebem que nossa Igreja também não oferece isso nem promete perfeição, desanimam. Tais pessoas geralmente não param em igreja alguma; vivem sempre à procura da “igreja perfeita”, do “serviço perfeito”, do “casamento perfeito”, da “vida perfeita” e estarão sempre a buscar e a se decepcionar.

c) Comparação com outras igrejas “grandes” – Alguns desanimam porque nossas comunidades são mesmo pequenas. Afinal, poucas pessoas persistem em um estilo religioso que não privilegia o emocionalismo, que é aberto às questões sociais e de direitos humanos e que não promove “barganhas”com Deus. Algumas dessas pessoas, desejosas de fazerem parte de uma igreja “grande como as outras”, cheia de jovens e de atividades, não demoram a criticar a Igreja Episcopal Anglicana, seu culto, sua doutrina e seu jeito de ser. Infelizmente já tive a experiência de ter que dizer a uma dessas pessoas: “se a Igreja é tão ruim assim, talvez seja porque você está nela…”

d) Problemas pessoais de relacionamento - Outras se afastam por problemas pessoais e não conseguem perceber que o mistério da comunhão da Igreja é maior do que tudo e que eventuais contratempos não devem afastar as pessoas do altar. Tenho consciência de que algumas se afastaram por problemas comigo ou com minha esposa, mas nem por isso essas pessoas foram excluídas, “disciplinadas” ou “excomungadas”. Sempre há a possibilidade aberta de que, em uma eventual mudança de clérigo, essas pessoas possam se reintegrar ao convívio comunitário, pois os clérigos são sempre passageiros. A comunidade, porém, deve permanecer.

Mas em muitas dessas perdas aprendemos também a não esperar muito das pessoas. Às vezes imaginamos que já estão suficientemente amadurecidas e preparadas para viver a fé no contexto episcopal-anglicano, mas contatamos que falhamos muito na formação e no excesso de confiança depositada. Isso nos remete ao problema da formação:

O dilema da formação – Educação cristã para crianças e formação teológica para adultos é algo muito difícil de fazer em nossos dias. Por mais que enfatizássemos a necessidade de reunirmos para estudar a Bíblia, textos teológicos da Comunhão Anglicana ou técnica musical, poucos se interessaram, e os que se mostraram interessados não tinham tempo. Até o momento não conseguimos desenvolver uma disciplina de estudo bíblico e teológico que muita falta faz à comunidade. Empenhamo-nos por tentar suprir essa carência através dos sermões escritos, sempre preparados com antecedência, revisados, enviados por email ou publicados no site, mas temos dúvidas se todos leem. Parece que para a maioria das pessoas, o simples momento do culto é suficiente, e não percebem que há, no anglicanismo, uma enorme riqueza espiritual, teológica e litúrgica a ser absorvida.

Um sonho a mais não faz mal… – Apesar de todos esses problemas, o trabalho missionário ainda nos cativa. É certo que às vezes desanimamos. Gostaríamos de que a comunidade tivesse um templo próprio, que não precisaria ser grande, mas que fosse construído com uma arquitetura condizente com a solenidade dos ritos celebrados; gostaríamos de ter salas e espaço para educação cristã, formação musical, etc; gostaríamos de ter uma cozinha e uma área própria para confraternização, mas isso ainda não é possível.

Um templo fixo favoreceria a prática dos ofícios diários. Poderíamos ter um ofício breve de oração (meia-hora) com hinos e música de qualidade, todos os dias da semana (pela manhã e à tarde), com bênção da saúde. Mesmo que nem todos frequentassem, seria responsabilidade do clérigo estar presente na hora indicada e iniciar o ofício, pois o clérigo é, acima de tudo, “sacerdote”, que ora pelas necessidades do mundo e por aqueles que não têm tempo para estarem ali celebrando com ele.

Naturalmente, uma comunidade episcopal-anglicana não se limita ao culto. A liturgia, porém, é o momento sublime, de onde flui a missão e, a partir da celebração regular, poderíamos constituir uma comunidade com outras frentes de trabalho e de serviço ao mundo – escola de música, centro de formação para jovens, atuação em direitos humanos, etc.

O futuro está à nossa frente. Sonhos existem, mas só se tornam realidade quando são sonhados comunitariamente. Por enquanto, descansamos nas palavras de Jesus no evangelho do domingo:

“Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”.