31 de janeiro de 2014

Evangelho e Direitos Humanos - a fim de que jamais esqueçamos ::..



 :: Padre Trevor Huddleston, o homem que inspirou Desmond Tutu ::


 Por Ricardo Pinheiro

O papel de um sacerdote no mundo é não apenas glorificar Cristo em suas ações diárias, todas elas, mas também levar os valores do reino de Deus (paz, justiça, respeito, unidade, etc) a todos os lugares, ainda que incomode (como certamente incomodará) o mundo e todos os seus sistemas vis que separam pessoas, medem-nas e as compara umas com as outras, diminuindo algumas e exaltando outras... este mundo nada tem de reino de Deus, mas certamente é “pressionado” quando o fluxo do amor transborda, incomoda e abala os poderosos.

Nas décadas de 40, 50 e 60, um sacerdote anglicano realizou sua Missão no chão da existência anunciando Cristo e a sua espantosa liberdade de acolher, de abraçar e de tratar bem a todos, independentemente de qualquer característica ou adjetivação. O então padre Trevor Huddleston, mais tarde bispo, foi uma pedra no sapato dos líderes afrikaners na África do Sul. Incomodou tanto que nem as ameaças de prisão e expulsão o fizeram calar. O Evangelho precisava ser pregado com seu testemunho e nada iria impedi-lo. Padre Huddleston começou descumprindo as leis que proibiam brancos de visitarem as favelas para onde os negros eram confinados. Mais tarde, assumindo uma postura mais política em favor dos direitos humanos e das liberdades civis, passou a se aliar com os líderes do movimento negro e a discursar diante de prédios públicos, ameaçando os poderosos com a ira divina por todas as injustiças perpetradas.

Na obra “Nascidos para o bem”, do arcebispo anglicano Desmond Tutu, a memória de  Huddleston é reverenciada como aquele que o inspirou a tomar a decisão para ser um sacerdote como o padre Trevor:

“Hddleston era inglês. Um sacerdote anglicano... e quando nossos caminhos se cruzaram, era o padre reitor da Comunidade da Ressurreição em Sophiatown e Orlando. Naquela ocasião, eu estava parado com minha mãe do lado de fora do edifício onde ela trabalhava. Eu tinha uns nove, dez anos. Ela era cozinheira em Ezenzeleni, um instituto para mulheres negras deficientes visuais. Estávamos desfrutando do calor débil do sol de inverno quando um homem branco, vestido de casacão, passou por nós e levantou o chapéu para minha mãe. Quando isso aconteceu, eu não me dei conta de que esse incidente havia me impactado tão profundamente. Um homem branco, cumprimentando uma mulher negra, nos anos de 1940, na África do Sul do apartheid, era um gesto impensável. Mais tarde o conheci e descobri que ele tinha uma profunda crença na doutrina da criação. Acreditava verdadeiramente que cada um de nós fora criado à imagem de Deus. Vivia como acreditava.


Trevor era um homem fascinante. Era como o flautista de Hamelin. Quando caminhava pelas ruas de Sophiatown, seu casacão branco não permanecia imaculado por muito tempo: as crianças negras corriam para agarra-lo ou segurar sua mão. “Fadder, fadder!”, era como o chamavam, querendo uma palavra, um toque, um sorriso.” [grifos nossos].

Na autobiografia de Nelson Mandela, “Long Walk to freedom”, o padre Trevor é descrito como um dos grandes opositores ao decreto do governo nacionalista afrikâner que em 10/02/1955 determinou que as áreas para negros deveriam ficar afastadas, no mínimo, seis milhas de Johannesburg. Ele era um dos líderes do movimento formado basicamente por negros. Em 1956 acabou saindo da África do Sul e voltando para a Inglaterra, a pedido de sua comunidade, que temia sua morte.

Em 28/02/1960, liderou em Londres a grande marcha de boicote às mercadorias produzidas pelo regime apartheid da África do Sul, onde mais de dois mil ativistas dos direitos humanos caminharam de Marble Arch a Trafalgar Square. No mesmo ano, foi sagrado bispo de Masasi (Tanzania), onde trabalhou por oito anos até se tornar bispo de Stepney, na diocese anglicana de Londres, onde veio a falecer aos 84 anos como bispo emérito. O fato foi noticiado em todos os principais jornais do mundo, entre os quais, o New Yor Times.

Seguem algumas imagens de um dos períodos mais tristes da história contemporânea, na África, contra o qual o padre Trevor Huddleston se levantou (fonte: Anorak Reino Unido):






Estas últimas são imagens da multidão no subúrbio de Sharpenville, sul de Johannesburg, em 21 de março de 1960, ocasião em que a polícia branca atirou contra os negros que protestavam contra a lei que os obrigava a andar pelas ruas de Johannesburg munindo "passes" que autorizavam negros a pisar nas mesmas ruas que os brancos. Neste terrível incidente, 69 pessoas foram mortas, incluindo 8 mulheres e 10 crianças. A imprensa noticiou como uma "reação" aos negros desordeiros e marginais. 

:: CATEDRAIS UNIDAS ::



:: Um exemplo de parceria que respeita a inclusão ::


Por Ricardo Pinheiro

Desde a primavera de 2007, o chamado “Grupo de Diálogo e Aliança das Catedrais”, um Comitê misto formado por membros da Igreja católica romana e por conselheiros da Igreja Episcopal americana oriundos de suas respectivas dioceses de Missouri, foi estabelecido para examinar o estado atual do "Pacto das Catedrais" entre as catedrais da Igreja Católica romana e da Igreja Episcopal (Anglicana) em Kansas City, Missouri. O bispo Robert W. Finn, Bispo da Diocese de Kansas City e o bispo Barry R. Howe, Bispo Episcopal da Diocese de West Missouri, nomearam membros do Comitê, sob a co-presidência do deão da Catedral da Graça e da Santíssima Trindade, Revmº. Terry White, e também sob a co-presidência do Monsenhor Robert Gregory, reitor da Catedral da Imaculada Conceição.


Ao longo de cerca de oito meses, o Comitê considerou um conjunto de atividades para marcar a renovação do compromisso comum de ambas as Catedrais em relação à “Aliança" estabelecida em 2 de junho de 1974 e, tempos mais tarde, renovada em 2 de junho de 1999. 

Na noite de terça-feira, 13 de maio de 2008, mais uma vez, seguiu-se a renovação da aliança entre as duas igrejas católicas ocidentais durante um ofício de vésperas realizado na Catedral da Imaculada Conceição, seguido de uma procissão pelas ruas do Centro até a Catedral Episcopal da Graça e da Santíssima Trindade, onde a bênção apostólica foi impetrada sobre todos os presentes.

Com esta renovação da aliança, as duas comunidades representantes de Catedral comprometeram-se a trabalhar juntas em torno de quatro áreas de vida e adoração: oração e espiritualidade; projetos de ação social em comum; compartilhamento cultural e partilha dos sinais de fé e prática.



O diálogo prevaleceu e pontes de aproximação e respeito mútuo têm sido construídas pelos bispos irmanados daquelas Dioceses (tanto a romana quanto a episcopal anglicana), em que pesem suas diferenças históricas e a identidade inclusiva da Catedral da Graça e da Santíssima Trindade, que abertamente acolhe pessoas de todas as raças, tribos, línguas, casais heteroafetivos e homoafetivos, etc. Tanto é fato que no site da Catedral episcopal claramente se vê o compromisso da comunidade: "Somos uma comunidade inclusiva, englobando jovens e idosos, ricos e pobres, solteiros, casados ou em uniões estáveis, gays e heteros. Estamos unidos pelo testemunho do amor redentor de Cristo e pelo desafio de levar vidas fiéis em nosso mundo complexo."

Este é um sinal que podemos coexistir e seguir juntos, mesmo que por maneiras peculiares da natureza eclesiológica de cada comunidade mas considerando a Unidade no essencial face à Missão da Igreja de Cristo no mundo.



Fontes da matéria (em inglês):





28 de janeiro de 2014

:: O Bom Casal Gay ::..





(Inspirado na parábola do bom samaritano e no texto “O Bom Travesti”, de Rubem Alves)


E numa tarde de domingo, vários pastores e líderes evangélicos e católicos, também apoiados pela ala “cristã” da Câmara e do Senado, encostaram Jesus na parede e lhe fizeram a pergunta crucial: Diga-nos logo quem são aqueles que fazem a Tua vontade e amam o próximo segundo a Tua verdade?

E Jesus então lhes contou uma história:

Um bebê foi abandonado por seus pais num valão que ficava entre duas igrejas: uma catedral católica, tradicional na cidade por sua beleza e imponência arquitetônica e um mega-templo evangélico, repleto de carros do ano à porta, cujo pastor ostentava seus muitos dotes financeiros em ternos de corte impecável e carros importados de causar inveja aos maiores empresários da cidade.

O pastor e sua esposa iam para o culto e ao pararem num sinal de trânsito perceberam o bebê jogado no valão, abriram o vidro blindado do seu carro e ouviram o choro da criança. Repreenderam o demônio que havia na “mãe tão desnaturada” que havia abandonado a criança ali, e já pensaram em organizar a Marcha Profética pelo fim do abandono de crianças. No entanto, devido às muitas viagens “em nome de Deus” e também do gasto que já tinham de condomínio e manutenção dos carros importados, não poderiam assumir o risco de levarem aquela criança pra casa, pois além dos gastos que lhe trariam, não sabiam sua procedência e se havia sobre ela qualquer espécie de maldição.

O sinal abriu, e partiram, orando por aquela situação.

Logo depois, no mesmo sinal passou um casal de católicos fervorosos. Há 20 anos lideravam movimentos de Encontros de Casais com Cristo, além do marido ser atuante nos Cursilhos de Cristandade. Viram aquela cena e choraram ao ouvirem o choro da criança abandonada. Falaram sobre as diversas Campanhas da Fraternidade, de como aquele quadro deveria ser mudado, perguntaram entre si pela turma da Teologia da Libertação, que não aparecia naquela hora e lamentaram não poder levar o bebê, devido ao fato de já terem gastos excessivos com seus cães labradores, ganhadores de concursos regionais. Mas saíram dali dispostos a participarem da próxima Marcha pela Família, organizados pelos setores de defesa da vida da sua igreja.

Já no fim da tarde, passava por ali dois rapazes, que comemoravam a recente decisão do STF em favor da união civil homoafetiva. Brindavam o fato de poderem legalizar a sua situação, já que há 8 anos viviam juntos. Mesmo em meio à música alta que tocava no carro, ouviram um choro ao longe, ao pararem no sinal vermelho. Abaixaram o som e viram a criança que soluçava e já quase não tinha forças, abandonada ali ao relento, desde a manhã…

Choraram muito. Pararam o carro, desceram e pegaram o pequenino no colo. Seus corações arderam de amor por aquela vida tão frágil e indefesa que decidiram leva-la para o apartamento em que moravam, que passava por uma reforma, e decidiram deixar para depois a conclusão da sala-de-estar e transformaram o espaço no quarto do bebê. Deram-lhe o nome de  Daniel, que um dos dois lembrara significar “Deus é meu juiz”, e o bebê agora sorria, ao tomar seu primeiro banho, nos braços dos seus novos pais…

E Jesus, encarando os olhares furiosos daqueles que estavam ali lutando pela honra da família cristã, perguntou:

- Qual destes casais provocou um sorriso de aprovação na face amigável de Deus?

José Barbosa Junior, maio/2011

24 de janeiro de 2014

:: Florence Li Tim-Oi ::

A precursora na inclusão feminina ::



Em maio de 1941, Florence foi ordenada Diácona. Alguns meses mais tarde Hong Kong caiu diante dos invasores japoneses. Os sacerdotes foram impedidos de viajar para Macau para celebrar a Eucaristia. Apesar deste revés, Florence continuou seu ministério. Seu trabalho chamou a atenção do Bispo Ronald Hall de Hong Kong, que decidiu que "a obra de Deus iria colher melhores resultados se ela tivesse o título apropriado" como sacerdote.

Em 25 de janeiro de 1944, na Festa da conversão de São Paulo, o bispo Hall ordenou-a presbítera, a primeira mulher então ordenada na Comunhão Anglicana.

Quando a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim, a ordenação de Florence Li Tim-Oi foi objeto de muita controvérsia. Diante disso, ela tomou a decisão pessoal de não exercer o seu sacerdócio, até que fosse reconhecido por toda a Comunhão Anglicana. Implacável, ela continuou a ministrar com grande fidelidade e em 1947 foi nomeada reitora da Igreja de São Barnabé em Hepu onde, nas instruções do Bispo Hall, ela estava sendo convidada para o ministério presbiteral.

Quando os comunistas chegaram ao poder na China em 1949, Florence empreendeu seus estudos teológicos em Pequim para melhor entender as implicações do três auto- movimentos (auto-governo, auto-suporte e auto-propagação) que estava sendo  determinado pelo governo para a vida das igrejas. Foi aí que ela se mudou para Guangzhou para ensinar e servir na Catedral de Nosso Salvador.

No entanto, durante 16 anos, a partir de 1958, no período conhecido como a Revolução Cultural, todas as igrejas foram fechadas. Florence foi forçada a trabalhar primeiro em uma fazenda e, depois, em uma fábrica. Acusada de atividade revolucionária, ela teve que se submeter à reeducação política. Finalmente, em 1974, ela foi autorizada a retirar-se do seu trabalho na fábrica.

Em 1979, as igrejas foram reabertas e Florence retomou seu ministério público. Em seguida, dois anos mais tarde, ela foi autorizada a visitar familiares que viviam no Canadá. Enquanto isso, para sua grande alegria, enquanto ela estava licenciada como clériga, foi convidada para ser sacerdotisa na Diocese de Montreal e mais tarde na Diocese de Toronto, onde ela finalmente se aposentou do ministério presbiteral, permanecendo como emérita até sua morte em 26 de fevereiro de 1992.

Coleta do dia:

Gracioso Deus, agradecemos-Te por chamar Florence Li Tim-Oi, filha muita querida, para ser a primeira mulher a exercer o cargo de presbítera em nossa Comunhão: pela Graça do teu Espírito inspire-nos a seguir o exemplo dela, servindo ao teu povo com paciência e felicidade todos os dias e testemunhando em todas as circunstâncias, pedimos-Te pelo nosso Salvador Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o mesmo Espírito, um só Deus, desde agora e para sempre. Amém.


Tradução:
R. P.
EPISCOPAZ

Fonte:
Standing Comission on Liturgy and Music of the Episcopal Church

22 de janeiro de 2014

:: Movimento Episcopaz entrevistado pela Revista Mix Brasil ::..


:: Entrevista com o coordenador do “Movimento Episcopaz – Anglicanos pró-diversidade e pela paz”, Pastoral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), o advogado carioca Ricardo Pinheiro ::

21/01/2014
Por Márcio Retamero

1 – Ricardo, o que é o Episcopaz e quais os objetivos desta Pastoral?


O Episcopaz é o movimento de anglicanos e aliados pró-diversidade e pela paz; que, por sua vez, se reúne como uma pastoral de direitos humanos ligada à paróquia da Santíssima Trindade na Diocese Anglicana do Rio de Janeiro. Justamente porque se abraça o propósito em favor dos direitos humanos é que diversas frentes em prol das minorias fazem parte da atuação da pastoral. A questão da inclusão numa perspectiva ligada à diversidade sexual, por exemplo, é uma dessas frentes.

Pra se falar dos objetivos da pastoral convém resgatar a força do termo. Pastoral vem de Pastoreio.  Por isso é importante destacar que uma pastoral objetiva fazer o que Jesus, o Bom Pastor dos excluídos e marginalizados, fez. É continuar sua missão no chão desta existência. De que forma? Continuidade da missão em três caminhos de ação: participar efetivamente da construção de uma sociedade mais igualitária, temperar a existência com os sabores da Graça de Deus que a ninguém exclui e denunciar todas as formas de injustiça e opressão, sobretudo aquelas feitas no paradoxo da religião que não religa nada. Obviamente, tudo isso sem perder o foco da semeadura que se realiza dentro da dimensão de uma pastoral (catequese, profetismo, evangelização, cuidado pastoral e iniciativas ecumênicas).


2 – Como uma Pastoral de direitos humanos, mas com um viés em prol da diversidade até no próprio nome, pode-se dizer que o Episcopaz é procurado por LGBTs que não se sentem acolhidos na sua  espiritualidade em suas igrejas?


Sim, bastante. Faz parte da missão da pastoral o anúncio do Evangelho em respeito à dignidade de todas as pessoas. Considerando as igrejas conservadoras, a procura se dá não apenas por aqueles e aquelas não acolhidos na espiritualidade, mas também pelos rejeitados na comunhão e nas dinâmicas da estrutura eclesial. E ainda há aqueles que até são bem acolhidos em suas comunidades religiosas mas nos procuram pedindo ajuda para lidar com a família, noticiando relatos de exclusão e desrespeito, etc.


3 -  Quais os eventos e os objetivos que o Movimento Episcopaz já promoveu?

Bom, para uma pastoral que nasce em 2013 e que tem como patronos o arcanjo São Miguel e todos os anjos, até que já derrotamos bastante dragões [risos]. O começo é sempre complicado porque basicamente se parte do zero. Falar de anglicanismo no Brasil é quase uma novidade, apesar de sua existência por aqui há mais de um século atrás. Falar de anglicanismo na terra de Sua Majestade, a rainha Elizabeth II, já é “common sense”.  Então, o desafio inicial foi apresentar a Comunhão Anglicana e sua histórica relação com as questões de direitos humanos. O último sermão de Martin Luther King Jr foi numa igreja episcopal (anglicana). Muito antes da 2ª Guerra Mundial, a primeira igreja a defender os métodos contraceptivos foi a Anglicana que mudou sua política de natalidade em 1930, uma época de muitos tabus sexuais. Naquela que ficou conhecida como a pior tragédia com LGBTs à época (o incêndio do Upstairs Lounge em Nova Orleans), foi a atitude solidária do padre Bill Richardson, um clérigo anglicano, que cedia o salão paroquial de sua paróquia para reuniões com LGBTs cristãos e que mais tarde resolveram alugar uma sala no segundo andar de um prédio naquela cidade, que frustrou a intolerância de uma cidade inteira ao abrir sua igreja para o velório dos corpos, em 1973. O primeiro bispo abertamente gay de uma Igreja de sucessão apostólica foi Gene Robinson, na diocese (episcopal) de New Hampshire. Esses exemplos são importantes porque as pessoas conhecem pouco a história subversivamente vanguardista do anglicanismo, de seu ethos inclusivo. 


Então, depois de investir pesado nessa questão dentro da pastoral, passamos a tratar de temas não menos relevantes como os perigos do avanço do fundamentalismo religioso, contando com ativistas LGBTs nos nossos encontros, a participação no evento do Diversidade Católica na Uni-Rio sobre homossexuais na Igreja, mas poderia também citar o amplo debate que fizemos sobre o matrimônio igualitário com a participação de muita gente, inclusive on line durante nosso manifesto.



4 – Vocês têm como meta se instalar em todas as dioceses? Isso é possível hoje?

Do ponto de vista canônico não há nada que impeça uma pastoral local vir a se tornar diocesana. No nosso caso, o Episcopaz ainda é uma pastoral ligada a uma paróquia. Nascemos ontem, por assim dizer. A verdade é que temos uma agenda bem cheia --- e diga-se de passagem com grandes desafios --- pra que tenhamos este tipo de pretensão no momento. Se eu te falar de metas que carregamos, diria que hoje é mostrar mais nossa cara enquanto anglo-católicos inclusivos e o pra quê aqui viemos. 

Se eu sair por aí e perguntar, como costumo fazer, se já ouviu falar de inclusão católica, alguns vão pensar que falando de igrejas evangélicas e outros que me refiro à igreja de Roma. Com todo o respeito que tenho a ambas, nossa meta é nos fazer conhecidos pelas ações pastorais e de impacto civil em prol da diversidade, mas também nos fazer conhecidos como uma alternativa de respeito às diferenças, mas sem perder nossa catolicidade e nosso jeito humano de ser Igreja no mundo em transformação.

5 – Falando no impacto civil pela diversidade, qual é a importância ou a finalidade social desse movimento pró-diversidade?

Tornar a Mensagem de inclusão e paz em ações concretas diante de situações reais de marginalização, de desrespeito de direitos fundamentais, de manifesta segregação racial, homofobia, lesbofobia, transfobia, enfim, de todas as formas de violência e também de busca por justiça, igualdade de direitos e paz.


6 – O Episcopaz pretende ser o movimento anglicano pró diversidade, paz e inclusão para além das paredes das paróquias anglicanas brasileiras?

Não trago comigo essa preocupação e penso que os companheiros da pastoral também não. Há uns anos atrás, quando participava de um seminário sobre direitos humanos e meio ambiente, ouvi a então ministra do meio ambiente, Marina Silva, dizendo que há gente que aqui no Rio, inserido na grande oportunidade de mudar o mundo a partir daqui, mas fica idealizando as coisas preferindo defender a floresta amazônica quando nem sequer se preocupa com a poluição da Baía de Guanabara nem aí para o desmatamento da mata atlântica. Trazendo pra nosso contexto, o foco do Episcopaz neste momento é uma mudança a partir de nossa realidade brasileira. Considere comigo o universo de desafios que temos somente em nossos campos, vendo a morte do PLC 122, a aprovação pela CDHM do projeto de decreto legislativo 871/13, que tenta amordaçar o CNJ retirando o poder de regulamentar a questão dos casamentos civis igualitários, as manobras dos integrantes da comissão especial do Senado que é responsável por elaborar o novo projeto do Código Penal, que acatou a retirada das referências a “gênero”, “identidade de gênero” e “orientação sexual”, por pressão dos fundamentalistas, as associações eleitoreiras de muitas figuras públicas com conservadores desejando a manutenção de um “status quo” tanto nas Assembleias Legislativas quanto no Congresso, tudo isso é prova viva de um cenário pedregoso ante o qual nem podemos piscar os olhos. 


Então, neste momento, não podemos pensar para além dos nossos jardins. Aliás, acabei me lembrando de uma lição de Rubem Alves, autor daquela maravilhosa parábola “O Bom Travesti”, que é um tapa na cara de muito intolerante. Ele diz que educar é plantar jardins e tornar o mundo belo e manso. Pois, bem. Nossa pastoral tem a consciência de todos aqueles desafios que enumerei; daí, o compromisso de plantar jardins multifloridos, com todas as cores dos nossos sonhos, dos nossos direitos, de nossa identidade enquanto pessoa, protagonista de nossa história. E o nosso compromisso, ao lado do compromisso de muita gente de bem que nos lê, é fazer o mundo cada vez mais livre de ervas-daninhas da violência e de todas as formas de preconceito. Ainda há muito o que plantar em termos de luta por aqui...


7 – A Igreja Episcopal dos EUA desde a década de 90 já vive plenamente a inclusão. Ordenou o primeiro bispo assumidamente gay e já conta, salvo engano, com quatro bispos abertamente gays desde então, além de diversos membros do clero. As mulheres anglicanas americanas são ordenadas ao ministério episcopal exercendo a função de bispas. Como é aqui no Brasil? Nossa situação histórica, ou seja, nosso contexto contemplaria a ordenação de um sacerdote, sacerdotisa ou bispo/bispa abertamente, assumidamente homossexual?


Não podemos perder de vista que falar de anglicanismo é ter em mente a coragem de mudar, de escutar o chamado para testemunhar a presença de Cristo no mundo em transformação (social, política, cultural, etc). No Brasil já temos garantida a possibilidade de ordenação de mulheres ao episcopado. Numa comparação modesta, a Constituição brasileira nunca proibiu uma mulher de exercer a chefia da Nação, mas em tantos anos de República somente agora tivemos uma como presidenta. Em pleno século XXI ainda não tivemos uma mulher chefe do Legislativo federal, presidenta do Congresso Nacional. É ponto pacífico que mulheres competentes e preparadas há. O raciocínio é semelhante dentro da Comunhão Anglicana, em especial aqui no Brasil. Não vejo a hora de termos bispas, já que temos diversos membros do clero que são mulheres super preparadas. Falando dentro deste contexto, que é o de abraçar a diversidade sexual, racial, enfim, não importa, temos sim a possibilidade de ordenar um postulante às ordens clericais que seja de orientação sexual abertamente homoafetiva. O que vai contar, no final das contas, é a evidência da manifestação do chamado ao sacerdócio e o preparo para esse serviço dentro de nossa Igreja no Brasil.


8 – Falando da Igreja Anglicana no Brasil, quais as resistências que o Episcopaz enfrenta? Sabemos que o campo religioso é um campo de disputa, como observou o sociólogo Pierre Bourdieu. A que você atribui a resistência, se houver?

Resistência acaba sendo até importante no empoderamento das nossas ações, mas não aqui falando de resistência estrutural como Bourdieu defendeu nas suas teorias deterministas, como ainda se vê dentro de muitas religiões intolerantes. O negócio é que somos uma pastoral local, aqui do Rio. Então, posso te dizer que, tanto da parte de nosso clero quanto de nosso bispo diocesano, temos tido apoio e diversas manifestações de auxílio. Até o momento desta entrevista não há que se falar em resistência (risos). 

Mas, voltando a falar sério. Noutro dia mesmo falava que aquela imagem de Dom Filadelfo (bispo da Diocese Anglicana do Rio) oferecendo um cartão vermelho para toda forma de preconceito na grande marcha em prol dos direitos humanos em Copacabana (abril do ano passado), ao lado do Marcelo Freixo, do Jean Wyllys, do Chico Alencar, é visionária. Ela por si só é uma Mensagem com “m” maiúsculo de que o papel do cristão é o de temperar a existência com os exemplos de amor, solidariedade e respeito que encontramos no Cristo dos Publicanos e das Meretrizes de Nazaré. Visionária porque traz o que esperamos: que aqueles que não sabem coexistir em paz com a diversidade recebam da própria vida um cartão vermelho dentro de suas consciências.



9 – Falando agora de projetos, quais os projetos do Episcopaz para o ano de 2014?

Eu diria que 2013 foi um ano de organização e solidificação de nossa estrutura. Este ano desejamos continuar debatendo amplamente as questões de inclusão (sexual, racial, dos portadores de necessidades especiais, entre outras), mas também nos abrindo para parcerias com grupos de trabalho, movimentos sociais e de defesa de direitos ligados a minorias, outras pastorais... Temos a possibilidade de desenvolver parcerias com entidades de fora do país, de ampliarmos as redes de comunicação com aqueles que desejam apoiar nossas ações e de se unir ao nosso trabalho, de mostrarmos mais nossa cara para a sociedade (nas passeatas, nos protestos, nas paradas, etc).


10 – No último Sínodo da IEAB, foi proposta a análise por parte dos sinodais a respeito do casamento religioso entre pessoas do mesmo sexo. Como ficou esta questão? Qual foi o trabalho do Episcopaz nisso, fizeram lobby? Você acha que vai levar muito tempo para que a IEAB aprove o casamento religioso entre iguais?

O trabalho que o Episcopaz realizou foi muito produtivo no último Sínodo. Houve mobilização antes, durante e depois em prol de atualizações nos documentos de nossa Igreja que contemplassem expressamente igualdade de direitos na questão do matrimônio para os anglicanos homoafetivos. A Igreja Católica (anglicana, romana e a oriental), enquanto instituição eclesiástica histórica, além da complexidade de suas estruturas carrega um peso na sua dimensão eclesial que não permite realizar mudanças num estalar de dedos. Não somos ingênuos. Os caminhos se dão através das consultas aos bispos, dos sínodos, dos concílios, enfim. Já uma igreja que tenha surgido há 10 ou 20 anos, obviamente, consegue mudar com grau de facilidade infinitamente maior. 

Agora, falar de Comunhão Anglicana é saber que estamos lidando com diversidade de opiniões mas sobretudo unidade em meio a isso tudo. Achei fantástico, por exemplo, a posição da Câmara dos bispos anglicanos aqui do Brasil se manifestando em carta em novembro do ano passado, dizendo que “entre os muitos desafios pastorais e canônicos chama-nos a atenção a questão da união de pessoas homoafetivas”. A mesma carta oficial se posiciona dentro de nosso ethos de inclusão, dizendo no final: “a Câmara dos Bispos já se manifestou duas vezes, por meio de cartas pastorais, nas quais se afirmou a legitimidade, seriedade e relevância pastoral do tema”. Perceba que nossos bispos estão sensíveis e antenados aos nossos movimentos. Isso é bárbaro. Diria mais, é promissor. Em suma, fomos muito bem recebidos no último Sínodo e diversos clérigos e bispos nos ofereceram total apoio. Neste momento, o tema do matrimônio igualitário está em exame com uma grande possibilidade de, mais uma vez, reafirmar nossa identidade como uma Igreja católica, de sucessão apostólica e com uma teologia muito à frente de seu tempo.


11 – Sabemos que dentro da IEAB temos paróquias resistentes à inclusão de LGBTs. O Movimento Episcopaz pretende sensibilizar este clero mais resistente e os eclesianos destas paróquias?

Não diria que temos paróquias resistentes à inclusão, até porque nosso ethos é de inclusão, faz parte dos votos batismais de todo anglicano. A questão é que há muita paróquia que não sabe (por várias razões) se articular e fomentar espaços onde se possa efetivamente trabalhar as questões ligadas à inclusão sexual (seja por meio de pastorais, seja por meio de catequese, etc). 

Isso é algo que nos incomoda, até mesmo pelo número de gente que nos procura de várias dioceses querendo implementar algo semelhante à nossa pastoral. Acontece que o trabalho é grande, os desafios gigantes e ainda temos um grupo relativamente pequeno para lançar as sementes, regar e cuidar daqueles jardins que me referi num outro momento... 

Em relação a quem possa resistir à inclusão da diversidade sexual, lamento dizendo o que Bethânia profetiza na cadência dos versos de Reconvexo:

“Eu sou Gitá gogoya, seu olho me olha, mas não me pode alcançar. Não tenho escolha, careta, vou descartar...”


 
12 – Quem, afinal, pode fazer parte do Episcopaz? Somente anglicanas e anglicanos ou todos e todas? Como fazer parte, como se engajar?


Todos. Todos que carregam os sonhos e as utopias de um mundo pacífico e irmanado. Todos que não têm medo do diferente e desejam plantar jardins, querendo um mundo belo e manso. Basta nos procurar pelas redes sociais, curtir nossa página, enviar um e-mail para episcopaz@trindademeier.org

 
13 - Como você vê a questão do crescimento das igrejas inclusivas e iniciativas como o Diversidade Católica e o Episcopaz?

Duas coisas muito importantes. A primeira é o surgimento das chamadas igrejas inclusivas na última década. Não tenho dados, mas sei que já se tornaram dezenas pelo país. Como uma moeda e seus dois lados, o ponto bastante positivo é o quê de subversão com que elas nascem. Isso tem tudo a ver com a Mensagem do Evangelho, que não apenas acolhe e respeita, mas denuncia as injustiças e mostra que não somos menos dignos. Outro lado dessa moeda tem a ver com a reprodução de alguns modelos das igrejas-origem, nem sempre subversivos na Mensagem. Graças a Deus, há exceções mas percebo que estas estão se tornando ilhadas em meio a uma onda de ‘homogeneização’ na praxis eclesiae. A segunda coisa que particularmente considero importante tem a ver com o surgimento de iniciativas fora do contexto das igrejas inclusivas evangélicas, como o Diversidade Católica e nossa pastoral Episcopaz. Um não é, como eles mesmos dizem, ente oficial ligado a nenhuma paróquia, o que até facilita a dinâmica sem fronteira de suas ações e a autonomia para administrar sua própria estrutura. São completamente subversivos no melhor ponto de vista. 


Já o Episcopaz é ligado a uma paróquia, que, por sua vez, está no contexto de uma diocese. Mas tem um diferencial: não está subordinado à Roma, ou seja, nem a Congregação para Doutrina e Fé pode nos silenciar. Daí, você me pergunta: os bispos da Igreja Anglicana poderiam silenciar vocês? Eu te responderia: como, se todos somos subversivos? [risos] Noutras palavras: como, se fazemos parte do anglicanismo que não teme se reformar para melhor acompanhar as transformações no mundo?


14 – Por último, mas não menos importante, gostaria que você analisasse o contexto político e religioso brasileiro. Se possível, deixe uma mensagem aos nossos leitores e leitoras.

Respondo sob um olhar extremamente pessoal, de um militante dos direitos humanos, cristão e intrinsecamente ligado às minorias. Ressalto a importância dessa leitura porque estamos diante de um cenário de fortalecimento das bases fundamentalistas numa sociedade rachada, como defende Jürgen Habermas, em aqueles que estão no poder (vencedores), os beneficiários e os marginais (perdedores). A forma como aqueles que antes eram marginais, depois se tornaram beneficiários e atualmente procuram a todo custo ser os vencedores (eu falo aqui dos fundamentalistas religiosos) me traz a sensação de que alguma coisa de muito preocupante está por vir. Na Assembleia Legislativa do Rio, por exemplo, tivemos uma deputada que propôs projeto de lei para a moral e os bons costumes. A mesma deputada afirmou que não contrataria uma babá lésbica sugerindo um “perigo” para o bem estar de seu filho. Isso foi dito em plenário sob consentimento de seus pares, que aprovaram o requerimento. Vejo a FPE no Congresso Nacional mobilizada e bem articulada muito mais para alcançar o poder e impedir direitos a cidadãos LGBTs do que por outras razões em benefício da sociedade. Os candidatos ao governo do estado estão fechando acordos com esses parlamentares de base fundamentalista em razão do coletivo de eleitores que representam. Por outro lado, em que pese o amadurecimento da consciência política exercida e da visibilidade nas paradas da diversidade, ainda se percebem “gaps” no mecanismo das articulações políticas, sem muita ou nenhuma estratégia de empoderamento dentro das Casas legislativas e com os chefes do Executivo.A outrora colcha de vários retalhos no tecido político está se tornando --- em grande parte às aglutinações das forças fundamentalistas com aqueles que estão no poder --- numa colcha de poucos retalhos, de poucas cores. Isso nos afronta enquanto sociedade porque a ideia de democracia pressupõe pluralidade. Isso nos afronta enquanto símbolos de resistência em prol da diversidade porque falamos de oportunidade comum e de bem-estar para todos, e não de alguns. Não sou alarmista, mas gosto de pensar com os pés plantados no húmus da realidade. Este ano precisa ser impactante para as forças que historicamente nos assaltam direitos. O impacto precisa vir como uma resposta de nossa consciência cidadã. 


Está na hora de uma demonstração clara do “rolezinho” dos cidadãos que sobrevivem às margens. O nosso encontro precisa ser real, e não virtual, nas urnas eleitorais de cada cidade deste país. Se Quintana um dia escreveu que o segredo não é correr atrás das borboletas, mais que na hora de cuidarmos do nosso jardim pra que, vencendo as articulações das ervas daninhas, nossos direitos cheguem sem interferência de fundamentalista algum, até nós. Até cada um de nós.
 

Ricardo Pinheiro, advogado com especialização em Direitos Humanos pela UFRJ,  presta consultoria na área dos direitos homoafetivos e em diversas ONGs, é militante dos direitos humanos e coordenador da pastoral anglicana Movimento Episcopaz no Rio de Janeiro.

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21 de janeiro de 2014

:: PESSOAS VALEM MAIS: o cerne do Evangelho ::


E por que valem mais? Porque são alvo do estupendo "caso de amor eterno" de Deus com sua Criação, a ponto de enviar seu Filho para deixar isto bem claro e conhecido. 



Porque é fato consumado: 

"Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões!" (II Coríntios 5,19). 

Não há conjunção nem locuções adversativas no meio do caminho (mas, todavia, entretanto... acontece que...). Não dói saber disso; ao contrário. Se doesse, se causasse indignação, seríamos como o "filho mais velho" da parábola do Filho Pródigo, narrada por Jesus, quando um dos filhos de Deus, indignado porque o seu irmão foi justificado sendo quem ele é, achou injusto participar do Banquete da Graça de Deus ao lado de gente que não seguia sua cartilha de bom mocismo nem da obediência cega aos ditames "do que estava escrito"...



Como pinçado do twitter:

"Posso mudar de "teologia" até o fim da minha vida... e provavelmente o farei, algumas vezes... Mas de uma coisa não abro mão: pessoas SEMPRE VALERÃO MAIS que instituições, visões, programas, etc. Isto, para mim, é inegociável."

Equipe via twitter @Episcopaz


Contribuição de José Barbosa Jr. (citação)

:: Pesquisa no IBOPE revela ::


A maioria (60%) dos brasileiros defende que os líderes religiosos — pastores e padres, entre outros — que pregarem contra os homossexuais sejam acusados pelo crime de homofobia.

De acordo com os dados de pesquisa, 55% também acham que o tema homossexualidade deve ser incluído no currículo das aulas de educação sexual. É o que apurou a pesquisa Ibope Inteligência/CNT (Confederação Nacional dos Transportes) divulgada pela Época e site do instituto.

Leia mais: http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Paginas/Para-brasileiros-Igreja-Catolica-deve-aceitar-que-padres-se-casem.aspx

:: Conselhos dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz ::



Num encontro entre os ganhadores do prêmio Nobel da Paz (o líder e mentor tibetano Dalai Lama, que ganhou o prêmio em 1989, e o arcebispo anglicano emérito da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, que recebeu em 1984), alguns conselhos que poderão nos ajudar a refletir sobre muita coisa, ponto de partida para mudar o mundo com a Mensagem do Evangelho.

:: BEM ASSIM: o diferente de nós não nos assusta! ::..



Você tem medo de discutir determinados assuntos que versam sobre dignidade das pessoas e mudanças na compreensão do cotidiano, das relações sociais e jurídicas?

No passado a Igreja Cristã chegou a condenar oficialmente os judeus pela morte de Jesus; depois, com as mudanças na compreensão do cotidiano, voltou atrás. Fez a mesma coisa há séculos atrás com o trabalho escravo e o comércio de negros. Graças às mudanças na compreensão do cotidiano, voltou atrás. Séculos se passaram, os seres humanos e a Igreja sempre buscam eleger a "bola da vez"... 


Esperaremos, infinitamente, as mudanças na compreensão do cotidiano para voltar atrás? Por que simplesmente não amar, anunciar o Evangelho que aponta um só Senhor e Juiz, e fazer a nossa parte, tentando melhorar o mundo com verdade, justiça para todos e paz entre os povos?

Equipe @Episcopaz

:: Um país sério é um país que... ::


Combate todas as causas da pobreza, fortalecendo a educação (a fim de não criar celeiros de preconceitos e outras formas de ignorância), redistribuindo renda e oferecendo condições básicas de sobrevivência com o exercício de todos os direitos constitucionais assegurados aos cidadãos (alimentação, saúde, moradia, trabalho, etc). O que pode nos indignar é saber que nem todos os brasileiros vivem a realidade do "mínimo constitucional"... 


Neste sentido, o que a Igreja, como farol deste mundo, anuncia?

É pra você pensar... e pensando, mudar e transformar o mundo ao redor!