26 de setembro de 2014

:: Se eu tiver filhos gays: quatro promessas de um pastor cristão e pai


Às vezes eu penso se terei filhos gays.
Eu não sei se outros pais pensam sobre isso. Mas eu penso. Muito frequentemente.
Talvez seja porque eu tenha muitos gays na minha família e círculo de amigos. Está em meus genes e em minha tribo.
Talvez seja porque, como pastor de estudantes, eu tenha visto e ouvido as histórias de horror de crianças cristãs e gays, dentro e fora do armário, tentando fazer parte da igreja.
Talvez porque, como cristão, eu interaja com tantas pessoas que acham a homossexualidade a coisa mais repulsiva de se imaginar e que fazem questão de deixar isso abundantemente claro a cada oportunidade.
Qualquer que seja a razão, eu penso nisso frequentemente. Como pastor e como pai eu quero fazer algumas promessas a você e aos meus dois filhos.
1) Se eu tiver filhos gays, todos vocês saberão disso.
Minhas crianças não serão nosso mais bem guardado segredo familiar.
Eu não vou desconversar com estranhos. Eu não vou falar em linguagem vaga. Eu não tentarei colocar um venda nos olhos de todos e eu não pouparei as emoções dos mais velhos, ou dos que se ofendem facilmente ou dos desconfortáveis. A infância já é difícil o suficiente e a maioria dos gays passa sua existência se sentindo horríveis, excruciantemente desconfortáveis. Eu não colocarei os meus filhos em mais desconforto desnecessário só para fazer o jantar de Ação de Graças mais fácil para um primo de terceiro grau rancoroso.
Se meus filhos saírem do armário, sairemos do armário como família.
2) Se eu tiver filhos gays, eu orarei por eles.
Eu não orarei para que eles sejam “normais”. Já vivi o suficiente para saber que, se meus filhos forem gays, este é o normal deles.
Eu não orarei para Deus curá-los ou consertá-los. Vou orar para que Deus os proteja da ignorância, do ódio e da violência que o mundo despejará sobre eles simplesmente por eles serem quem são. Vou orar para que Deus lhes coloque um escudo de proteção contra aqueles que os desprezam e querem machucá-los, que os amaldiçoam ao inferno e que os colocam como condenados sem nem mesmo conhecê-los. Eu orarei para que eles apreciem a vida, o sonho, que sintam, que perdoem e amem a Deus e a humanidade.
Acima de tudo, orarei para que meus filhos não recebam o tratamento nada cristão de suas ovelhas mal guiadas a ponto de afastá-los de seus caminhos.
3) Se eu tiver filhos gays, eu os amarei.
Não estou falando de um amor distante, tolerante e cheio de reservas. Será um amor extravagante, de coração aberto, sem desculpas. Aquele tipo de amor que constrange na porta da escola.
Eu não vou amá-los apesar de sua sexualidade nem vou amá-los por causa dela. Vou amá-los simplesmente por serem quem eles são: doces, engraçados, carinhosos, inteligentes, legais, teimosos, originais, lindos e… meus.
Se meus filhos forem gays, eles poderão ter milhões e milhões de dúvidas sobre si mesmos, sobre o mundo, mas nunca terão um segundo de dúvida sobre o amor que o pai deles sente por eles.
4) Se eu tiver filhos gays, basicamente, terei filhos gays
Se meus filhos forem gays – e eles já são bem gays… [gay em inglês significa, antes de tudo, alegre] Bem, isso quer dizer que Deus já os criou e os moldou e colocou neles a semente de quem eles são dentro deles. O Salmo 139 diz que Ele “os costurou no útero de sua mãe”. Para mim isso quer dizer que as incríveis e intricadas coisas que os fazem almas únicas na história foi colocado em suas células.
Por isso, não há um “deadline” para a sexualidade deles pela qual eu e sua mãe estejamos orando fervorosamente. Eu não acredito que haja alguma data de expiração mágica se aproximando quando eles “se tornarão héteros”.
O que há hoje é uma simples e jovem versão de quem eles serão; e hoje eles são incríveis.
Muitos de vocês podem se ofender com tudo isso. Eu percebo totalmente. Eu sei que isso deve ser especialmente verdade se você é uma pessoa religiosa, que acha esse tópico totalmente nojento.
Conforme vocês foram lendo isso, podem ter revirado os olhos ou selecionado trechos das escrituras para enviar ou orado para que eu me arrependa ou se preparado para deixarem de ser meus amigos ou me chamado de pecador, mau, herege condenado ao inferno… Mas da forma mais gentil e compreensiva que eu possa ser, digo uma coisa: não dou a mínima.
Isto não diz respeito a você. Isto é muito maior que você.
Você não é a pessoa que eu esperei ansiosamente por nove meses. Você não é a pessoa pela qual eu chorei de alegria quando nasceu. Você não é a pessoa a quem dei banho, alimentei, balancei para dormir durante as noites. Você não é a pessoa a quem eu ensinei a andar de bicicleta e cujo joelho esfolado eu beijei ou cuja mão eu segurei enquanto levava pontos. Você não é a pessoa cuja cabeça eu amo cheirar, cujo rosto ilumina quando eu chego em casa à noite e cuja risada soa como música para minha alma.
Você não é a pessoa que diariamente me dá significado e propósito e que eu adoro mais do que jamais imaginei adorar algo. E você não é a pessoa com quem eu espero estar quando der meus últimos suspiros neste planeta, olhando para trás agradecido por uma vida de tesouros compartilhados, sabendo que eu te amei da maneira certa.
Se você é pai, eu não sei como você responderá caso seus filhos sejam gays, mas eu oro para que você considere isso.
Um dia, a despeito de suas percepções sobre seus filhos ou de como foi sua paternidade, você talvez tenha que responder para uma criança assustada e ferida, cujo sentido de paz, identidade, aceitação, na verdade seu próprio coração, serão colocados em suas mãos de uma maneira que você nunca imaginou. E você terá de responder a isso.
Se este dia chegar para mim, se meus filhos saírem do armário para mim, este é o pai que eu espero ser para eles.
* Nota do autor: A palavra “gay” usada neste post se refere a qualquer um que se identifique como LGBT. Embora em conheça e respeite as distinções e diferenças, escolhi esta palavra porque ela é a mais simples e facilmente comunicável para o contexto deste artigo. Foi a maneira mais clara de me referir aos indivíduos não heterossexuais, usando uma palavra comum que ressoaria facilmente para o leitor comum.

** Nota da Pastoral: John Pavlovitz é blogueiro e pastor assistente na Igreja Metodista Unida do Bom Pastor, Charlotte, Carolina do Norte, casado e pai de dois filhos. Para ler o texto diretamente do blog do Pr. John, acesse aqui.







25 de setembro de 2014

:: Manifesto da Rede Anglicana Pró Diversidade contra crimes de ódio a pessoas sexo-diversas


“A violência, seja em palavra ou ação, e o preconceito contra homossexuais são comportamentos
inaceitáveis e pecaminosos para os cristãos.” 
Revmº Rowan Williams, ex-arcebispo de Cantuária



Nós, cristãs e cristãos anglicanos de todas as orientações sexuais e identidades de gênero e de várias comunidades e pastorais, fraternalmente unidas e unidos como Rede Anglicana Pró-diversidade e Pela Paz, vimos publicamente manifestar nossa indignação, pesar e luto diante do avanço de pessoas vitimadas em detrimento de crimes contra a dignidade e a vida de pessoas sexo-diversas.

A cada dia temos sido atingidas e atingidos pelas informações dos mais diversos rincões deste país de pessoas aviltadas no mais sublime direito: o da vida. Preocupa-nos o avanço de alguns setores intolerantes e a influência que exercem sobre muitas mentes, como é o caso do fundamentalismo religioso, cujo pilar é a incapacidade de coexistência pacífica com outras verdades e realidades.

Impossível não enxergar que vivemos dias de embotamento do valor da vida, seja ela qual for. A violência crescente e a obra nefasta que produz com a morte, sobretudo de pessoas sexo-diversas, passam a ser frequentes e causam-nos perplexidade. Não podemos nos calar e assumir o lado dos opressores intolerantes e que espalham ódio contra gays, lésbicas, bissexuais e pessoas trans*.

Como anglicanas e anglicanos recordamos diante de todas estas situações o compromisso assumido na renovação de nossos votos na aliança batismal, que nos une à Igreja de Cristo, seu sinal visível no mundo a quem Ele quer bem, reafirmando nossa mais solene promessa de defender a justiça para todas e todos e de respeitar a dignidade de toda pessoa, de todos os povos, línguas, raças e nações, de todas as cores, credos, bem como de toda procedência regional, classe social, gênero e orientação sexual.

Numa situação de absurda injustiça contra pessoas sexo-diversas tombadas dia após dia, não podemos nem consideramos a hipótese da neutralidade. Não podem ser como não serão! em vão as mortes de João Antônio Donati, 18 anos, em Inhumas/GO; de Karen Alanis, em Caçapava/SP; de Samuel Pacífico da Rocha, 23 anos, em São Paulo, na área do Terminal Rodoviário; de Cris, em Foz do Iguaçu/PR; de Maycon Tadeu Andrade, 30 anos, em Artur Alvim/SP; de Fabiana da Silva, 33 anos, em São Manuel/SP; nem de Wanderson Silva, 17 anos, cujo corpo foi encontrado em 17/09, em Bayeux/PB.

A sacralidade da vida e o que temos visto ultimamente nos desafia como cidadãos a exigir um basta, a fim de que o Estado cumpra seu papel garantidor dos direitos mais fundamentais para todas e todos. Denunciamos como imoral toda a tentativa de mercadejar sob interesses políticos o que não tem preço: a vida e a integridade de toda e qualquer pessoa. Por isso, evocamos a urgência na criminalização dos crimes de ódio como a homofobia (inclusas nesta categoria a lesbofobia, bifobia e transfobia) e a necessidade na aprovação do PLC 122/06, cuja pauta precisa ser desbloqueada das articulações fundamentalistas em razão da laicidade constitucional do Estado brasileiro.

Inspiradas e inspirados em Jesus Cristo, Senhor de toda a Criação e Autor da Vida, somos chamadas e chamados na construção de um mundo mais justo e igualitário para todas e todos, a denunciar toda forma de injustiça, a proclamar o seu Reino de amor, solidariedade e paz entre os povos, por meio de ações concretas que nos levem a refletir que a intolerância, o preconceito e todas as formas de violência contra o nosso próximo são erros gravíssimos do alvo do Seu amor.

Por um Estado laico, com políticas públicas em prol de uma sociedade verdadeiramente plural, com educação sexual nas escolas e criminalização dos crimes de intolerância.

Por um país livre do olhar algoz e da projeção do ódio, em especial contra pessoas sexo-diversas.

Por um Brasil que proclame a abolição das correntes da homofobia, da lesbofobia, da bifobia e da transfobia.


Rio de Janeiro, 17 de setembro de 2014.


Rede Anglicana Pró-diversidade e Pela Paz
Catedral Nacional da Santíssima Trindade (Porto Alegre)
Comunidade Anglicana em Governador Valadares (MG)
Comunidade Bom Pastor (Vitória)
Comunidade Jesus de Nazaré (Olinda)
Missão Bom Samaritano (Juiz de Fora)
Missão da Inclusão (Campo Grande)
Paróquia Bom Pastor (Salvador)
Paróquia da Ascensão (Porto Alegre)
Paróquia da Santíssima Trindade (Rio de Janeiro)
Paróquia da Santíssima Trindade (São Paulo)
Paróquia da Trindade (São Leopoldo)
                                                                      Paróquia de São João (São Paulo)
Paróquia de Todos os Santos (Niterói)
Paróquia São Paulo Apóstolo (Rio de Janeiro)
Paróquia São Pedro Apóstolo (Curitiba)
Ponto Missionário Santo André (Guaíba)
                Movimento Episcopaz – Pastoral de Direitos Humanos (Rio de Janeiro)
Yehonatan – Pastoral da Diversidade (Curitiba)

22 de setembro de 2014

:: A Igreja como Farol e os indabas em 2014



:: Aos que participarão dos indabas

Companheiros por um mundo mais justo e igualitário, servos do Cristo Pobre e Marginal de Nazaré, cujos pés empoeirados e não ter aonde reclinar a cabeça denunciam ao lado de quem sempre esteve, é chegada a hora. Sim, hora do desafio de buscar ser Igreja para todas as pessoas, todas elas. 

Em Cristo e na Sua Igreja (notem: é Dele, não nossa, por isso é livre de quaisquer amarras) não podem haver pessoas ou famílias postas à margem. Isso se dá no mundo, que não conhece a Deus e rejeita Sua Palavra Encarnada (Verbum Dei). Entre nós, não. Pessoas e famílias, reconhecidas por nosso ordenamento jurídico, são trazidas para perto. São incluídas, de fato. Ao menos deveriam ser...

Mas não são? Não. Exemplos não nos faltam que nem todas as famílias são vistas como tais. Do ano passado para cá contabilizamos dezenas de casais homoafetivos em nossas comunidades que nos escrevem falando de seu amor ao Evangelho e o desejo de servir em nossa Igreja. Suas famílias, quase sempre, são reconhecidas "a boca miúda", sem oficialidade e sem publicidade... Em outras palavras: ainda encontram-se nas margens. 

Que discípulo de Cristo pode se conformar com seu irmão/sua irmã/seus irmãos vivendo nas margens, não incluídos na integralidade como as demais famílias?

Que Cristianismo é este em que a ética dos evangelhos vem sendo usurpada pela moral imposta pela maioria sobre a minoria? Lembremo-nos sempre que o gênesis do Ministério Profético de Cristo é tomar as “talhas que os judeus usavam para as purificações” e dar-lhes novo sentido, enchendo-as de vinho. Recordemos que é desta forma que Ele dá seu primeiro sinal público daquilo que realizaria para escândalo das estruturas corrompidas do mundo e seus sistemas-filhotes, como a exclusão, a subclassificação de filhos legítimos (heteronormativos) e bastardos (todos aqueles que a moral nascida entre os homens categorizar como fora da fôrma aprovada pelo "acerto" da maioria), entre outros que não têm parte com Cristo.

Não há como se conformar com as forças excludentes do mundo e seus sistemas que jazem no maligno, que medem e sempre medirão pessoas... Nós não somos mundo; antes, dele fomos resgatados para o reino do Filho de Seu Amor!

Não buscamos aqui "chover no molhado" e expor o que todo cristão já sabe de cor e salteado, a saber: que tudo seu deu tão somente por Graça... Pela Graça fomos salvos, e resgatados, e transportados, e tornados "justos e justas" pela fé, e glorificados com o Filho, e assentados nas regiões celestiais em Cristo. E o mais assombroso (ou seria maravilhoso?): "e isto não vem/veio de vós; é dom de Deus. Não de obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2,8-9).

Conclamamos você, que estará presente nos indabas a ser nossa voz, a ser a voz da Liberdade e da Igualdade do Evangelho. Lembre-se que foi apenas por Graça que fomos chamados e somos aceitos e incluídos.

Heteroafetivos e homoafetivos não podem se gloriar senão na Cruz; jamais por obras, por orientação ou por acerto "cultural" da maioria sobre a minoria. Bom que se diga: jamais por obras produzidas por nós ou em nós, pois foi dom de Deus. Conclamamos também a você que deseja os desejos do Reino de Deus e ora para que os indabas que acontecerão em diversas áreas de nossa Província (de set/dez) reafirmem, de uma vez por todas, o que todos nós gostamos de ficar curtindo pelas redes sociais.
 

É a hora do 'vamos ver', fora do universo da virtualidade. É a hora de reafirmar se queremos continuar no século XXI e, historicamente, continuar caminhando em prol da dignidade de todas as pessoas, ou se preferimos os ventos do neoconservadorismo que, por razões intrinsecamente culturais ou de crise ideológica, atingem, respectivamente, a imensa maioria das províncias anglicanas africanas (não todas, graças a Deus!) e alguns setores pontuais europeus (nem todos, graças a Deus!) desapontados com a perda de espaço no cenário religioso. 
 

Cristo é Senhor de Todos e Todas. O Seu Amor incondicional é a nossa "chave hermenêutica" para compreender todos os textos da Escritura, isto é, que não há mais diante Dele homens ou mulheres, judeus ou gregos, brancos ou pretos, ricos ou pobres, altos ou baixos, heteroafetivos ou homoafetivos, cidadãos de 1ª ou de 2ª classe... 

NÃO HÁ MAIS!

NÃO HÁ MAIS!

NÃO HÁ MAIS!

Se o contra-argumento precisa de melhor respaldo da sociedade civil e do ordenamento jurídico, é a hora de estar ao lado das seguintes instituições: ONU - Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (resolução contra discriminação aos direitos dos LGBTs assinada desde 17 de junho de 2011, da qual o Brasil é signatário), STF - Supremo Tribunal Federal, STJ - Superior Tribunal de Justiça, CNJ - Conselho Nacional de Justiça, AMB - Associação dos Magistrados do Brasil, OAB - Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, CFESS - Conselho Federal de Serviço Social, CFP - Conselho Federal de Psicologia, CSMPF - Conselho Superior do Ministério Público Federal, Conselho Superior da Defensoria Pública, Sociedade Brasileira de Psiquiatria, ABI - Associação Brasileira de Imprensa, para não citar as entidades culturais, entre outras.


Por tudo o que a Igreja Anglicana representa em termos de inclusão, respeito e compromisso histórico com os Direitos Humanos, em especial de povos e pessoas excluídas, marginalizadas ou postas à margem de seus direitos, não há como voltar atrás no seu próprio currículo, no seu compromisso com as causas viscerais do Evangelho e não se posicionar como Farol de Justiça e Abrigo de todo cansado, oprimido e sobrecarregado, como sinal visível no mundo de uma agência do Evangelho de Cristo. 

Pensemos todos nisso e continuemos a orar e a testemunhar que defendemos a justiça para todos e respeitamos a dignidade de todas as pessoas.

Igreja somos todos nós chamados por Jesus a sermos "luzeiros deste mundo" (Mateus 5,14), isto é, Farol. Igreja apenas para alguns já é outra coisa...

Sob a luz da santa inspiração Daquele que é Senhor de Todos e Todas, o qual não faz parte dos acertos dos homens, sejam da maioria sobre a minoria, sejam da minoria sobre a maioria,

Movimento Episcopaz
Anglicanos Pró-Diversidade & Pela Paz
22 de setembro de 2014

10 de setembro de 2014

:: Uma síntese do que nos aguarda nos indabas de 2014 sobre famílias e diversidade sexual


Você sabia que a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil realizará no último trimestre deste ano algumas rodas de diálogo com representantes escolhidos/indicados em cada diocese para tratar de um tema muito caro às pastorais da diversidade e de direitos humanos e, obviamente, para toda a Igreja?

Você tem conhecimento que o que será tratado nos chamados “indabas” (diálogos) tem a ver com uma proposta do Centro de Estudos Anglicanos da Junta Nacional de Educação Teológica da IEAB sobre famílias e diversidade sexual?

Pra você, o conceito de família pode ser ampliado e evoluir com os costumes de uma sociedade pós-moderna ou não? Qual o tipo de família que Deus ama, acolhe, respeita e abençoa?

O Movimento Episcopaz se ergue como voz de muitos que apenas querem uma Igreja que acolha, respeite e continue caminhando e se movendo no mundo, sendo e interagindo conosco e com todas as mudanças no entendimento ao longo das gerações. Igreja anda, portanto, não é estática. Igreja vai... e vai ao encontro da necessidade de quem ama. Igreja, em suma, somos todos nós com todas as cores, caras, corações e modelos de famílias!

Leia mais sobre os indabas aqui.




4 de setembro de 2014

:: Diálogos em 2014 sobre famílias e diversidade sexual



Você sabia que a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil realizará no último trimestre deste ano algumas rodas de diálogo com representantes escolhidos/indicados em cada diocese para tratar de um tema muito caro às pastorais da diversidade e de direitos humanos e, obviamente, para toda a Igreja?

 

Você tem conhecimento que o que será tratado nos chamados “indabas” (diálogos) tem a ver com uma proposta do Centro de Estudos Anglicanos da Junta Nacional de Educação Teológica da IEAB sobre famílias e diversidade sexual?

 

Você, que luta pela igualdade na Igreja e que deseja ver, definitivamente, acontecendo o que é proclamado quando da renovação dos votos batismais (defender a justiça PARA TODOS e respeitar a dignidade DE TODAS AS PESSOAS) se sente representado(a) pelas pessoas que estão sendo escolhidas/indicadas para participar desses indabas?

Você, por acaso, tem conhecimento se algum representante de alguma pastoral da diversidade em toda a Província foi convidado(a) a contribuir (lembrando que leigos também poderão ser indicados pelas dioceses) participando dos indabas sobre famílias e diversidade sexual neste ano?

 

Você se sentiria representado(a) nesses indabas sobre famílias e diversidade sexual se acaso nenhum representante das pastorais da diversidade e de direitos humanos fosse incluído(a) no processo de diálogos sobre o tema que elas militam como Missão no poder do Espírito Santo e para o bem de toda a Igreja?

 

O Movimento Episcopaz levanta estas questões apenas para você tomar conhecimento e opinar; afinal, todos nós queremos uma Igreja que acolha, respeite e continue caminhando e se movendo no mundo, sendo e interagindo conosco e com todas as mudanças no entendimento ao longo das gerações.

 

Veja a seguir a proposta do Centro de Estudos Anglicanos da Junta Nacional de Educação Teológica da IEAB para a realização em 2014 de diálogos (indabas) sobre famílias e diversidade sexual:

 

É oportuno registrar, ainda, que a IEAB tem mantido uma prática não discriminatória em relação à relação entre pessoas do mesmo sexo, permitindo-lhes pleno acesso às atividades eclesiais e eclesiásticas inclusive às sagradas ordens. Neste aspecto a nossa prática encontra-se mais avançada do que o nosso consenso teológico-doutrinário. Vale sublinhar que, no plano prático, a diversidade se nos afigura como um valor, que deve urgentemente ser incorporado ao nosso ideário e ao nosso discurso teológico-pastoral.

Proposta: Realizar em todos os Polos/Áreas da IEAB diálogos Indabas sobre a temática de famílias e sexualidades humanas.

Total de participantes: 10 participantes por dioceses (incluindo o bispo diocesano) x Polo/Área. Todas as dioceses de cada Polo/Área devem estar representadas. Outros participantes (Assessores) determinados pela Equipe CEA, até um total, no máximo, de 35 participantes.

Tempo: Começar sexta feira tarde ou noite e terminar domingo de manhã. Isto poderia mudar e ter flexibilidade em dependência das características de casa Polo/Área.

Participantes: Os participantes, escolhidos pelas dioceses (10 por dioceses), devem incluir os bispos diocesanos, os delegados/das sinodais, e pessoas designadas pelos bispos diocesanos até um total de 10 participantes por diocese, tentando manter um balance entre clérigos/clérigas, lideranças leigas, jovens, mulheres, e pessoal da pastoral da diversidade sexual. (Assim decidido pelo CEXEC da IEAB/Brasília, 28-30 de março de 2014)

Lugares e datas:

Área I – Porto Alegre, 21-23 de novembro de 2014
Área II – Curitiba, 26-28 de setembro de 2014
Área III – Brasília 10-12 de outubro de 2014

Assessores: Equipe CEA, e outros assessores, a critério da Equipe, em coordenação com o Primaz, CCL, a Comissão Nacional de Diaconia, as comunidades envolvidas na pastoral da diversidade sexual e a Secretaria Geral da IEAB.

Temáticas que poderiam considerar-se e discutir-se:

·   Nossa realidade e vivência litúrgica, social e eclesial.

·   Como é a inclusão de LGBTs em nossa igrejas?

·   Conflitos e obstáculos que enfrentam, tanto na sociedade como na igreja, a temática da  sexualidade humana e as relações entre as pessoas do mesmo sexo.

·   Como tem mudado o conceito atual de “família”?

· Aprendendo do caminho transitado por outras igrejas da Comunhão Anglicana (TEC/Canadá/Inglaterra).

·  As diferentes sexualidades que conformam o jeito atual da sociedade e do próprio ser humano.

·   Todos somos parte da família de Deus: união de pessoas LGBTs.

·   Discutir a questão da homofobia, a violência e a discriminação contra pessoas LGBTs.

Para obter mais informações clique aqui.


 



:: Como você lê a Constituição?



:: Pela ótica da dignidade do ser humano ou pelas lentes do olhar moral?



"Eu sou a favor dos direitos civis de todas as pessoas e a união civil entre pessoas do mesmo sexo já está assegurada na Justiça por uma decisão do Supremo. Tem muita gente que faz a confusão entre união estável e união civil. A união civil assegura todos os direitos para os casais que têm a união no mesmo sexo. O casamento é estabelecido entre pessoas de sexo diferente. É isso que está assegurado na Constituição, na legislação brasileira, mas os direitos são iguais", disse Marina Silva, candidata à presidência da República em entrevista coletiva que concedeu em São Paulo nesta segunda-feira (matéria publicada no Portal G1).

Vejamos o que disse o guardião da Constituição do Brasil, a Suprema Corte (STF), o órgão que a interpreta para todo o país (quando da decisão que equiparou as uniões homoafetivas às heteroafetivas):

"Uma sociedade descente é uma sociedade que não humilha seus integrantes", disse a ministra Ellen Gracie.

A ministra Cármen Lúcia destacou que a Constituição Federal não tolera qualquer discriminação. "Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal".

"Cabe ao Supremo impedir o sufocamento, o desprezo e discriminação dura e pura de grupos minoritários pela maioria estabelecida", ressaltou o ministro Joaquim Barbosa . De acordo com ele, o princípio da dignidade humana pressupõe a "noção de que todos, sem exceção, têm direito a igual consideração".

Para o ministro Gilmar Mendes, o tema em julgamento diz respeito "à dignidade dos indivíduos. (...) A pretensão que se formula tem base nos direitos fundamentais a partir dos princípios da igualdade e da liberdade", disse. De acordo com o ministro, é necessário reconhecer os direitos de casais formados por pessoas do mesmo sexo "por uma questão de dignidade humana".

Defendendo o estado do Rio de Janeiro, que provocou a ação, o então procurador do Estado, Luís Roberto Barroso, disse da tribuna quando lhe concedida a palavra: "Duas pessoas que unem seu afeto não estão numa sociedade de fato, como uma barraca na feira. A analogia que se faz hoje está equivocada. Só o preconceito mais inconfessável deixará de reconhecer a analogia", afirmou Barroso. O advogado também frisou que o direito das minorias não deve ser tratado necessariamente pelo processo político majoritário. Ou seja, pelo Congresso Nacional. "Mas sim por tribunais, por juízes corajosos", disse.

E como bem descreveu o preâmbulo da Resolução do Conselho Nacional de Justiça, presidida na ocasião pelo ministro do STF, Joaquim Barbosa:

"CONSIDERANDO a decisão do plenário do Conselho Nacional de Justiça, tomada no julgamento do Ato Normativo nº0002626-65.2013.2.00.0000, na 169ª Sessão Ordinária, realizada em 14 de maio de 2013; 

CONSIDERANDO que o Supremo Tribunal Federal, nos acórdãos prolatados em julgamento da ADPF 132/RJ e da ADI 4277/DF, reconheceu a inconstitucionalidade de distinção de tratamento legal às uniões estáveis constituídas por pessoas de mesmo sexo;

CONSIDERANDO que as referidas decisões foram proferidas com eficácia vinculante à administração pública e aos demais órgãos do Poder Judiciário; 

CONSIDERANDO que o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do RESP 1.183.378/RS, decidiu inexistir óbices legais à celebração de casamento entre pessoas de mesmo sexo (...), RESOLVE:

Art. 1º É vedada às autoridades competentes a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo."

Somos gratos ao Poder Judiciário pela corajosa atitude em prol da DIGNIDADE do ser humano, uma vez que o Poder Legislativo não teve a mesma coragem por razões mesquinhas atinentes à incapacidade de legislar para todos os brasileiros, tenham ou não tenham convicções religiosas moralistas e fundamentalistas, creiam ou não creiam que a Graça de Deus em Cristo Jesus rompeu as muralhas excludentes e preconceituosas de separação e divisão entre pessoas e pessoas. 

Lamentamos, no entanto, que ainda se vejam candidatos à presidência da República insistindo no mesmo viés fundamentalista, acovardando-se diante da necessidade de alcançar o Poder ao invés de, como cristã confessa, defender a DIGNIDADE de toda pessoa... tal como nós, anglicanos, o prometemos como cristãos na renovação dos votos batismais.

Definitivamente, seja ela ou qualquer outro candidato a quaisquer dos Poderes da República de um Estado laico, declarações como as emitidas neste dia EM NADA contribuem para o fortalecimento das bases da Democracia de um país que tem todas as cores, todas as raças, todos os credos e até não credo. Sim, como cristãos NÃO CURTIMOS!

Que o Espírito da Graça de Jesus jamais nos leve a nos curvar ao apego ao dinheiro e ao poder, seja ele qual for, mas a pôr em liberdade todos os algemados e acorrentados na sua dignidade e nos seus direitos e a proclamar o Ano Aceitável do Senhor no Dia Chamado Hoje.

Em Cristo, somos verdadeiramente livres para amar e respeitar a dignidade de nosso semelhante!

Coordenação do Movimento Episcopaz
Anglicanos Pró-diversidade e pela paz
Rio de Janeiro, 1º de setembro de 2014