19 de maio de 2014

:: Ameaçados porém inabaláveis em Cristo!




“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos!” (II Co 4,8-9).
 Oficialmente temos 8 meses como Pastoral dos Direitos Humanos, muito embora há mais de um ano tenhamos contas nas redes sociais em nome do Movimento Episcopaz – Anglicanos pró-diversidade e pela paz. De lá pra cá foram inúmeras as mensagens e os comentários acintosos que recebemos. Isso era de esperar, uma vez que anunciamos a Cristo, “escândalo para os judeus e loucura para os gregos”, conforme São Paulo esclarece na sua 1ª epístola aos Coríntios.

É escândalo e é loucura porque Ele mesmo desmonta todo o arquétipo construído que o “encaixotou” na moral e nas leis dos homens. Anunciamos a Cristo dos pobres, dos excluídos, dos párias, dos samaritanos, das Maria Madalenas, dos cobradores de impostos fraudulentos como Zaqueus, de homens e mulheres de má fama, cegos, coxos, paralíticos e demais classes tidas como não sendo “normais”... sim, anunciamos a Cristo fora das normas! Livre! Senhor e Deus!

Nunca expusemos as mensagens acintosas e escarnecedoras que recebemos, algumas de gente exercendo função de liderança em suas religiões (cristãs). Há tempos que recebemos mais; outros, menos. Somente ontem, duas pessoas membros de outras igrejas cristãs tentaram escarnecer de nossa pastoral. Fomos acusados de “deturpar o Evangelho”... afinal, creem eles, Cristo é intolerante e seu amor tem limite... Todavia, até hoje não havíamos recebido ameaças de morte pelo Cristo que pregamos. E como tudo tem a sua primeira vez, resolvemos fazer diferente. Tal como uma mulher que não se cala e denuncia a violência sofrida dentro de casa (isso é consciência dos Direitos Humanos!), dessa vez tomamos várias medidas, denunciamos o perfil do agressor – que não é fake, mas pai de família e cristão – além de virmos a público informar que esta Pastoral continuará anunciando as Boas Novas de Salvação a todas as pessoas, desconstruindo a mentira dos discursos opressores de que alguns têm privilégios no reino em razão do sexo, da orientação sexual, da melanina na epiderme, da religião que professa, da quantidade de grana acumulada nos bancos. Continuaremos afirmando, no poder da fé, que Deus decidiu abolir o “escrito de dívida” na Cruz, pagando um alto e sublime preço em favor de todos os pecadores e de todas as pecadoras, gente como nós e como qualquer um(a).

Portanto, por mais que venhamos a ler mensagens ameaçadoras de violência — como as recebidas neste dia! —, devidamente já denunciadas:

Não venham pra cá com essa (...) que eu meto o facão em vocês, viados!” ou, ainda, "Meto-lhe um tiro de cartucheira na fuça, menino afeminado!”.

Entrementes todas essas ameaças de violência, perpetradas por cristãos (?) que se escandalizam com a Graça de Jesus, nosso Chamado e nossa Missão serão levados adiante, no Poder do Espírito Santo, libertando consciências e levando a Luz de Cristo a muitos corações. Adiante de nós, segue Cristo, o Deus de Amor.

E a todxs que imaginam que viver para Cristo e por Cristo é caminhar sem incomodar os opressores, lamentamos profundamente. Estão equivocados. Experimentem falar de amor, mas amor por todas as pessoas, e vocês verão como o mundo e seus sistemas se levantarão furiosos.

Somos pró-diversidade, é fato, mas também somos os filhos do Príncipe da Paz. A Paz de Cristo não é armistício, mas segurança no ser mesmo em meio às adversidades e as ameaças...

Muito prazer, viemos em Nome de Cristo incomodar!

Ricardo Pinheiro
Coordenador do Movimento Episcopaz

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15 de maio de 2014

:: Quando a luta pela vida também é marca do Evangelho



- A história comovente do jovem Stephen Sutton

Stephen, abril/2014

Algumas pessoas não morrem, jamais. Sua luta por si mesmo ou tentando, de alguma maneira, fazer dela a energia para o bem comum, são sempre desafios inspiradores para nossa fragilidade humana. Sim, não nos esqueçamos que somos seres humanos. Mas, por outro lado, não nos esqueçamos também que a vida é feita de decisões. O que fazemos dela e como “mostamos Deus” através dela acaba sendo a razão que nos aponta o que nos move a ser e a existir.

O testemunho do Evangelho não é um exercício de regrinhas religiosas que as pessoas “precisam” ver ou tomar conhecimento. Não é nada disso. Dizer que o Evangelho é uma regra ou um conjunto de regras religiosas é a mesma coisa que dizer que Deus tem uma religião, fundou uma igreja e deseja que todos se tornem sócios dela. Isso não é apenas ridículo, mas absurdo. É uma blasfêmia, pois diminui intencionalmente a própria imagem do Criador, que é Senhor e Soberano sobre todas as coisas. Deus não precisa de nada. Deus merece!

O testemunho do Evangelho, portanto, se dá como uma resposta tranquila a uma ação inicial de Deus, isto é, a tudo aquilo que Dele recebemos e “percebemos” por meio da fé, como a alegria simples com o que nos torna feliz, a leveza de ser em prol da paz, do bem, do respeito, do acolhimento, da solidariedade, sem fazer critérios de pessoas "merecedoras" ou não, além de nos incentivar a desejar o mesmo bem e paz para todas as pessoas ao nosso redor, agindo para que mudanças em prol do bem comum, no respeito à individualidade de cada um de nossos semelhantes, aconteça e se mostre --- ainda que nem se pense ou se busque teologizar nada acerca disso --- como passos, mãos, voz e olhares de Jesus na vida... o testemunho, portanto, segue por sinais visíveis na caridade e no rompimento dos grilhões que aprisionam as pessoas a uma vida que é pior que sobrevida, é anti-vida, é morte. Eis por que o discípulo de Jesus é, na verdade, um teimoso pela esperança, um sonhador com o avanço do reino, ainda que muitas vezes gema de dor, de incompreensão e sofra na pele --- tal qual seu Senhor e Rei o sofreu! --- o peso esmagador das injustiças, da mentira, das invejas e da exclusão presentes neste mundo caído e distante do amor escandalosamente inclusivo do Pai das Luzes.

São muitos os discípulos do Bem de Deus, ainda que nem todos estes discípulos sejam percebidos como sendo de sua ou da nossa “religião”, ou, ainda, não tendo religião alguma, mas carregando a força da fé, que os faz acreditar que nada é em vão e que o sentido de viver pode estar para além da compreensão, por isso não desistem... ainda que partam e deixem conosco a Presença do Exemplo

Eis a história de Stephen, o adolescente britânico que faleceu ontem, aos 19 anos de idade, mas escreveu um diário on line pelo seu facebook que era acompanhado por milhares de pessoas.

Diário de Stephen, 8 de maio de 2014

Fui diagnosticado com câncer de intestino em setembro de 2010. Acabei tendo períodos de recaída, antes os médicos eventualmente descreveram minha doença como incurável em novembro de 2012. Durante todo este tempo que tenho já passei por todos os tipos de tratamentos (cirurgia, quimioterapia, radioterapia, etc.) que me ajudaram não só cuidar mas também prolongar a minha vida. A propagação da doença desde tem sido constante e bastante singular. Eu, na verdade, me vejo como um cara de muita sorte, apesar de ter alguma coisa em mim incurável... por um tempo já tive períodos sustentados com boa saúde, onde eu conseguia dar voltas, sair e aproveitar as coisas que jovens fazem (confira um pouco minha história aqui).


Mas, sabe como é, minha doença ainda ta por aqui e ainda ta crescendo... por exemplo, por um tempo tumores acabaram colocando minha perna esquerda agora como inútil... e eu sinceramente agora dependo de muletas para me mobilizar. É, também estou usando  morfina e outros analgésicos para os nervos. Recentemente, mais e mais coisas começaram a correr mal com meu corpo, e é claro que estamos agora encarando uma nova fase dessa grande 'viagem'.

Cada viagem com câncer é diferente, mas sempre achei que uma vantagem que posso tirar disso é que ele acaba sendo bastante previsível - ou seja, o câncer tem crescimento muito lento. Então, já sabendo disso, não posso, de repente, acordar um dia me sentindo extra 'tumoral'!!!! Em termos de enfrentamento, isso me ajuda imensamente. Esse  período no hospital, juntando com a acuidade e a velocidade dos meus problemas só me mostraram o quanto minha saúde ainda é frágil, ou melhor o quão brutal o câncer ainda pode ser com ela.

A recuperação que tive é alguma coisa assim muito milagrosa. Eu mal posso acreditar. Era realmente pra ficar entrando e saindo várias vezes, em diversas ocasiões, mas de alguma forma eu consegui ficar aqui. Depois de tossir um tumor (que eu vou admitir que soa como algo completamente improvável!), sintomaticamente e clinicamente tô me sentindo muito saudável - e não há nenhuma razão que não me deixe continuar [me sentindo assim] por um tempo.

Por quanto tempo, não sabemos. Vou me encontrar com meu professor na próxima sexta-feira, onde vamos ter um bate-papo bem bacana sobre toda essa situação e meus planos para o futuro.

Por fim o que posso dizer é que não há nenhuma solução milagrosa para mim. Potencialmente sou a pessoa mais positiva e otimista do mundo, mas temos que ser realistas com o que estamos enfrentando. Minha doença está muito avançada e tem vezes que parece me pegar de jeito, mas vou tentar de todas as formas [por mais] maldito e difícil que seja ficar aqui o maior tempo possível. Eu não morri ainda, a jornada continua, então acho que precisam um pouco mais de mim [por aqui].

Diário de Stephen, 14 de maio de 2014

Meu coração está explodindo de orgulho, mas também está rompendo com tanta dor por saber que o meu mais corajoso, altruísta e inspirador filho faleceu tranquilamente durante o sono nas primeiras horas desta quarta-feira, 14 de maio, logo pela manhã. Todo esse contínuo apoio e essa efusão de amor pelo Stephen nos ajudará muito neste momento difícil, da mesma forma como ajudou Stephen ao longo de toda sua jornada. Todos sabemos que ele nunca será esquecido, seu espírito viverá, em tudo o que ele alcançou e compartilhou com muitos.

Com amor,

A mãe dele.


NOTAS:
Para saber mais, clique aqui.

Texto de introdução e tradução por Ricardo Pinheiro

Imagens por Facebook, The Mirror
 

Este blogue é uma publicação virtual do Movimento Episcopaz - Anglicanos pró-diversidade & pela paz, uma pastoral de direitos humanos ligada à Paróquia da Santíssima Trindade (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil), no Méier, Rio de Janeiro.  

14 de maio de 2014

:: Comercial tailandês nos inspira a repensar o que não tem preço



Fonte Youtube (clique aqui)

Qual o seu maior desejo? O que te move a realizar o bem de Deus por onde quer que ande? Vale a pena realizar o bem?

São apenas alguns questionamentos para nos ajudar a compreender que algumas coisas simplesmente não têm preço. Lembram da parábola ensinada por Jesus sobre a mulher que reencontrou uma moedinha perdida? Aquela alegria simples foi um exemplo muito singelo usado por Jesus para demonstrar como há alegria no céu quando uma pessoa muda o pensamento (“metanoia”) e, pela fé, começa a compreender a vida sob um novo olhar, o mesmo olhar de acolhimento e respeito com que fomos alcançados por Deus.

Mudar o pensamento, isto é, ter um novo modo de pensar a vida é o que o texto original neotestamentário fala todas as vezes que se reporta ao novo nascimento (conversão). Novo nascimento ou novo pensamento, conforme está no original, foi a palavra usada por Jesus a Nicodemus. Sem um novo pensamento a respeito da própria vida e daquilo que Deus pode realizar, de maneira alguma, diz o Cristo, se poderá ver o reino de Deus acontecendo entre nós!

Que esta reflexão sirva para quem ainda tem resistências ao acolhimento de todas as pessoas e de lhes conferir os mesmos direitos na Casa de Deus. Afinal, as coisas mais simples não têm preço: reconhecer que suave é que todos os irmãos vivam em união na Casa de Deus!





13 de maio de 2014

:: Livres para ser



Quantos querem liberdade? Ela deveria ser realidade para todos, mas nem todos a suportam, diria até que se desesperam. Estranho? Convide alguém a andar com suas próprias pernas, a pensar por si mesmo, a ouvir todas as coisas porém reter (pela análise e reflexão pessoal) o que for bom e você verá que não estou exagerando... Há muita gente que prefere os aios, as muletas, os líderes impondo o que fazer, comer, vestir...

Liberdade é um benefício inestimável que acontece quando se mergulha na consciência da Graça de Deus. Não tem preço. Experimenta-se a liberdade usufruindo a Graça, que nos é outorgada gratuitamente pela fé. Preste atenção: liberdade, liberdade mesmo, só ocorre na perspectiva da Graça de Deus. Quem quer que ignore Deus crendo que é livre é escravo de si mesmo. Tal como disse Lutero: “O homem sem Deus é apenas o cavalo do diabo!”. Sem Deus o homem mais livre é apenas montaria selvagem, mas ainda apenas uma montaria...

Sabemos que há muita coisa que milita contra a liberdade... são os processos de escravidão, que acorrentam almas e corações. O medo é uma argola. A culpa é uma argola. A falta de fé é uma argola. A sujeição ao domínio de um opressor é uma argola. A injustiça sendo praticada é uma argola. A falta de amor é uma argola. A indiferença é uma argola. A arrogância é uma argola. A recusa em aceitar que o diferente de mim também é alvo da mesma Graça é uma argola.  Mas há argolas que alguns não imaginam. Por exemplo, toda forma de moralismo — cristão ou não — trabalha contra a apropriação da verdadeira liberdade!

Todas elas, juntas, são correntes que escravizam. Isto é caminhar na contramão do reino de Deus...

Lembram da afirmação de Paulo de que todas as coisas são lícitas? O grande problema é que tal afirmativa, em geral, acaba sendo vista como um estimulo à libertinagem e à total irresponsabilidade. Quem crê assim pensa que “estando em Cristo”, nossa singularidade irrepartível e nosso senso de individualidade, deveria implicar que somos agora livres para fazermos o que desejarmos. Afinal, pensam, estamos livres da Lei e da Moral!

Mas que engano!

Estamos sim, livres da Lei e de todos os seus subprodutos. Mas isso não nos põe no caminho da libertinagem, mas no tipo de liberdade que Deus chama como tal.

A liberdade do homem tem na liberdade de Deus sua referência.

Deus é livre para ser continuamente bom, fiel, misericordioso e justo; e, sobretudo, um Deus de graça para outros, diferentes ou iguais a mim!

E não nos esqueçamos do que precisa ser óbvio posto que o é: Deus não precisa tratar-se a si mesmo com Graça. Ele merece! Nós é que precisamos de Graça. Nós, brancos, negros, homens, mulheres, heteroafetivos, homoafetivos, transgêneros, ricos, pobres, letrados, iletrados, puritanos e devassos, não merecemos!

"Para a liberdade foi que Cristo nos libertou"... diz o apóstolo Paulo. Mas conclui: não vos submetais novamente a nenhum jugo de escravidão”.

Neste 13 de maio, data histórica para nosso país, ainda há gente escravizada, física e mentalmente. Há gente escravizada pensando que é livre, por isso acredita em tudo sem “reter o que é bom”; daí decorre de muita gente reproduzir papeis sem se dar conta que a liberdade de Deus é assustadora para quem faz de textos sua tábua de salvação... porque não entenderá jamais que Deus é tão Deus que faz um padeiro chamado Oséias tomar Gômer, a compulsiva sexual, e encarnar uma mensagem de amor (mais uma vez o homem é a mensagem!)... Num mundo caído como o nosso a mensagem muitas vezes vem carregada daquilo que ela mesma recomenda que não aconteça.
 

É quando tem que acontecer para que não aconteça mais!

Com isto aprendemos que há Graça até no que parece moralmente absurdo (portanto, não torça a cara quando vir o Sol da Justiça raiar e termos concedidos os mesmos direitos aos nossos irmãos homoafetivos)...Há amor no que parece absurdo também... Há Deus em todas as coisas também...

Para a liberdade foi que Cristo nos chamou e nos libertou.

Não existe força nesta terra nem em lugar algum que suporte o “tudo foi consumado” de Deus. Ele decidiu perdoar a todo aquele que nele crer e a pôr em liberdade todos os algemados. E que decisão!

Para aquilo que a mente não conseguir se abrir e compreender, recebemos o dom da fé. É por isso que a liberdade de Deus não pode assustar quem sabe ter sido alvo de seu inexplicável amor. Questão de fé, mas uma fé que se degusta, diria...

Todos já tiveram essa Informação? Todos já creram nessa Mensagem? É certo que não. Por isso, eis a razão de existirmos enquanto ajuntamento de pessoas que degustaram o amor de Deus nos seus processos individuais de chamamento à liberdade para ser em paz. Eis a razão pela qual também convidamos você para que seja conosco e para que anuncie com atitudes, ao lado dos anglicanos pró-diversidade e pela paz, “eu sou um com você no amor de nosso Pai”.

Pode acreditar, certeza assim rompe qualquer grilhão!

Liberdade para todos, sem exceção alguma, mesmo que nem todos saibam dessa informação. Ainda!

Ricardo Pinheiro
No aniversário da abolição da escravatura no Brasil, 13 de maio de 2014
Inspirado no texto "A liberdade de Deus", Caio Fábio


10 de maio de 2014

Série :: Comunidades (episcopais anglicanas) em prol da diversidade ::



Daí, você se pergunta se é possível tornar uma comunidade inclusiva sem ser exclusiva, isto é, sem vislumbrar uma espécie de “opção preferencial” por algumas categorias de seres humanos em detrimento de outros. Trocando em miúdos, é possível falar de inclusão sem que isso soe como discurso muito em voga de “igreja LGBT”?

É possível uma comunidade cristã episcopal anglicana defender a dignidade de todas as pessoas, interagir com todas as pessoas, oferecer espaço para o serviço na adoração a todas as pessoas? Você acredita que é possível numa comunidade cristã episcopal facilitar o desenvolvimento da expressão de fé de todas as pessoas, criando ministérios e pastorais, conforme o anseio de todos os grupos ou categorias de pessoas, fomentando o surgimento de muitos dons e fortalecendo o espírito comunitário entre todas as pessoas na mesma Família da Fé?

Através desta série Comunidades (episcopais anglicanas) em prol da diversidade você terá a oportunidade de perceber que “ser Igreja” é coexistir em meio à diversidade dos dons e da própria Criação. Igreja não pode ser lugar de formatação, mas de liberdade no amor de Deus, que insiste sempre pela verdade e pelo bem do próximo.

Comunidades mergulhadas no espírito do amor tornam-se Igrejas em revolução no mundo caído de amor e solidariedade como o que vivemos. Justamente por isso a  revolução da Igreja no mundo decorre de sua disposição de não ser proprietária das consciências nem da liberdade alheia. Aliás, não é proprietária de nada. Ser uma Igreja que inclui mas sem se tornar gueto ou exclusivista é possível quando todos encontram seu lugar e coexistem, irmanados. Por isso, igrejas assim crescem enquanto se tornam cada vez mais inclusivas, peregrinantes --- e não rígidas, fixas --- como o próprio Cristo, são discretas e práticas nas suas obras de amor; são o mais livre possível dos poderes constituídos deste mundo. Comunidade que caminha assim se tornam, entre limites e virtudes próprias de comunidades de humanos, reconhecidas como  comunidades de amor, que se reúnem para compartilhar a Palavra, orar, adorar e ajudar-se mutuamente; enquanto vivem o testemunho do Evangelho em serviço de amor no mundo.

Portanto, a quem ainda carrega dúvida se Igreja é lugar para todos pensarem iguaizinhos, trajarem-se iguaizinhos, defenderem um só modelo de família, vislumbrarem como validada apenas uma identidade sexual, apresentamos nesta série ambientes onde se é possível ser reconhecida como Casa de Oração, lugar de adoração, acolhimento e serviço na direção do próximo. Ambientes sadios na fé, episcopais anglicanos.

Iniciaremos a série apresentando a paróquia de Todos os Santos, em Beverly Hills (Califórnia, EUA). Seguiremos com outras comunidades, como a paróquia anglicana da Encarnação, em Ontário (Canadá) e chegaremos ao Brasil. Aguardem.

Igreja Episcopal de Todos os Santos, Beverly Hills (Califórnia)

No sítio da paróquia na internet a chamada já deixa claro a identidade cristã acolhedora que assumem: "Se você é jovem, adulto, membro da idade senior (3ª idade), casado, solteiro, gay, não importa... se você está procurando, provavelmente vai achar que há um lugar para você aqui na Todos os Santos."

Igreja reunida no ofício eucarístico de Páscoa (abr/2014)

Grupo de louvor com integrantes de todas as orientações sexuais

Paroquianos preparando refeição de Páscoa para ser levada a famílias pobres 
cadastradas no programa "Drop-in & Housing Services" 

Bazar da paróquia com a participação de todos os ministérios

Confraternização de fim de ano do ministério da Diversidade


Nota: Antes que alguém pergunte, sim, na Todos os Santos os casais episcopais de todas as orientações sexuais casam-se na paróquia desde 2012, após importante Resolução aprovada na Assembleia Geral da Igreja Episcopal norte-americana e autorização do bispo diocesano da Califórnia.






7 de maio de 2014

:: Tragam de volta as garotas da Nigéria





Líderes da Rede Anglicana Internacional da Mulher (IAWN) convocaram as mulheres de toda Comunhão Anglicana a fazer tudo a seu alcance para ajudar as mais de 200 meninas sequestradas na Nigéria pelo grupo terrorista Boko Haram.

A coordenadora do grupo de direção da IAWN, Ann SKAMP, escreveu aos membros , incentivando-as a não esquecer destas meninas, das quais algumas, como relatam os meios de comunicação , foram forçadas a casar por seus raptores.

"Há três semanas, mais de 200 meninas foram sequestradas de sua escola em Borno, cidade do Norte da Nigéria. Enquanto nós continuamos a manter as meninas , suas famílias e comunidades em nossas orações por favor, considere o que podemos fazer para apoiá-los ", disse ela.

A Sra. SKAMP sugeriu que as mulheres episcopais anglicanas poderiam assinar a petição on-line no link http://www.change.org/petitions/over-200-girls-are-missing-in-nigeria-so-why-doesn-t-anybody-care-234girls .

Ela acrescentou: "Por que não entrar em contato com seus representantes políticos locais para pedir que o governo expresse ao governo da Nigéria nossa mais profunda preocupação com as meninas também a em outros fóruns internacionais?”


"Por favor, solicite que sua paróquia, diocese e província incluam orações a estas meninas e suas famílias no culto este Domingo, 11 de Maio, que é comemorado também como o Dia das Mães em muitas de nossas comunidades".

Para este fim, a Sra. Skamp sugere a oração escrita por Elizabeth Smith, da diocese de Perth, Igreja Anglicana da Austrália.

Oração para as meninas nigerianas sequestradas maio 2014

Ó Deus, clamamos a ti
Pela vida e liberdade das 276 meninas sequestradas na Nigéria.
Em seu tempo de perigo e medo,
Derrama teu forte Espírito sobre elas.
Faça um caminho de volta para casa em segurança.
Faça um caminho de volta para elas
para a educação que vai elevá-las.
Faça elas cientes
De que elas não são escravas cativas,
eles não são noivas de mercadoria,
mas que tuas filhas amadas,
e preciosas a teus olhos.
Mude os corações e mentes de seus sequestradores
e de todos os que escolhem a violência contra mulheres e meninas.
Derruba os poderosos de seus tronos,
e eleve os humildes e mansos,
por Jesus Cristo nosso Senhor.
Amém.


As mais de 200 meninas foram levadas de uma escola no norte do estado de Borno em 14 de abril. O seu paradeiro permanece desconhecido e há crescente raiva e frustração na Nigéria com o fracasso do governo em encontrá-las.

5 de maio de 2014

:: Fé demanda Justiça ::




No Sínodo Geral da IEAB, realizado no Rio de Janeiro de 2013, houve um consenso: a Igreja tem muitos anseios legítimos. Alguns desses anseios chegaram até nossos bispos por meio de reivindicações, inclusive com abaixo-assinado com a proposta para autalização dos Cânones Gerais, sobretudo após diversas mudanças nos contextos social e jurídico com relação aos direitos das pessoas homoafetivas. Não se pode sequer cogitar em negar a existência e a importância dessas pessoas em nossas dioceses e comunidades. Elas têm sido bênção na vida da Igreja.

Dentre algumas decisões o Sínodo Geral da IEAB acolheu a pretensão para melhor exame com a possibilidade de comissão, visando relatoriar a questão para apresentação no Sínodo Extraordinário em 2015. Em novembro completaremos 1 ano sem que, salvo a existência de informação mais atualizada, tenhamos tido conhecimento do início dos trabalhos da comissão.

Nosso Movimento Episcopaz, aliado da Rede Anglicana Pró-diversidade e pela Paz, sente diariamente a luta e o desgaste de muitos irmãos que nos escrevem, de várias partes do país, paroquianos em plena comunhão com a Igreja, confirmados e que santificam suas vidas com presença assídua no “sacramento da Santa Eucaristia e demais ofícios”, e, ainda, “contribuem fielmente para a manutenção da igreja” (Regulamento dos Leigos, cânon 12, artigo 4º dos Cânones Gerais). 

A questão legítima, por direito canônico, é: se estão em plena comunhão, se cooperam na manutenção de suas comunidades, o que lhes falta para a igualdade de direitos em relação aos demais paroquianos [heteroafetivos] confirmados e que também cooperam para a manutenção de suas comunidades?

Muito mais que palavras, já estamos nos mobilizando documentalmente.

A Câmara dos Clérigos e Leigos e a Secretaria Executiva nos aguardem.

Lembrando-nos dos votos batismais com a defesa da dignidade de todos e da certeza de que fé demanda Justiça,

Anglicanos pró-diversidade e a favor da paz.

Maio de 2014