23 de maio de 2015

:: Desfazendo estigmas quando o assunto é nossa Rede



Nossa Rede é:

1) Anglicana: tem uma identidade denominacional, caminha segundo o modo anglicano de compreender e sobretudo encarnar o Evangelho e também de acordo com a Missão da Igreja no mundo.

2) Pró-diversidadeabrange a luta em prol da justiça e do respeito à dignidade de todas as pessoas. Percebamos bem: todas as pessoas. Com isto, afirmamos que não levantamos bandeiras. Se alguma bandeira há é o anúncio do Evangelho. Pessoas ou categorias de pessoas não terão preferência na Missão, pois somos todos um em Cristo. Não há privilegiados. Focar um grupo, especificamente, portanto, seria reduzir nossa Missão.

3) Pela paz: este é o sinal que nos comissiona como filhos da paz, anunciadores do reino do Príncipe da Paz, a saber, Jesus, a Palavra Encarnada de Deus, através da qual todos podem ser edificados, alimentados e admoestados na sua justiça. Sermos em prol da paz significa, ainda, que nosso Movimento não fecha com polarizações. Não somos liberais. Não somos conservadores. Somos pelo respeito a todas as pessoas e a suas verdades. Isto não significa que sejamos “neutros”, pois se anunciamos o Evangelho não podemos ser neutros. No que depender de nós, buscamos ter paz e sermos reconhecidos pela paz para com todos.

Então a Rede não é, como alguns já pensaram:

a) Movimento para afirmação de pessoas, anglicanas ou não, LGBTs;
b) Associação de Pastorais da Diversidade da IEAB;
c) Grupo que pretende reunir igrejas a favor da agenda gay.

Quer dizer, então, que minha comunidade ao aderir à Rede:

a) Envida esforços pastorais na luta contra toda forma de discriminação (tendo ou não tendo ministérios ou pastorais com essa discussão dentro da comunidade);

b) Sinaliza a pessoas em situação de vulnerabilidade social ou estigmatizadas em razão de sexo, gênero, orientação sexual, deficiência física ou psicomotora, raça, nacionalidade e origem que há comunidades anglicanas que não irão reverberar discurso de opressão nem insistir em mudança de vida quando isto for condicionado ao que tais pessoas são ou se identifiquem por si mesmas.

Portanto, para nós, dizer que Jesus transforma a vida de todas as pessoas, significa...

Que o negro continuará sendo negro após ter o ser transformado pelo agir do Espírito Santo; que a mulher continuará sendo mulher 
após ter o ser transformado pelo agir do Espírito Santo; que o cego ou surdo ou cadeirante continuará sendo cego ou surdo ou cadeirante após ter o ser transformado pelo agir do Espírito Santo; que o gay ou a lésbica continuará sendo gay ou lésbica após ter o ser transformado pelo agir do Espírito Santo. Jesus realmente transforma vidas e as torna impactadas por seu amor, apaixonadas pelo anúncio do Evangelho, misericordiosas e acolhedoras como o próprio Cristo e Senhor.

O que não se pode quando se une à Rede:

1) Contradizer ou negar a Missão de anunciar o Evangelho a toda criatura, respeitando as diferenças, reconhecendo que numa sociedade pós-moderna “diálogo” e “coexistência” são as palavras-chave na luta contra toda forma de preconceito;

2) Dizer que acolhe e dá boas vindas a todas as pessoas, mas defende abertamente que somente um modelo de família é válido, que somente uma forma de amor é possível entre as pessoas (desrespeitando a individuação no ser daqueles que fogem aos padrões impostos nos acordos da maioria) ou que Jesus ama e, consequentemente, aceita e aprova mais algumas pessoas que outras (em razão da cor da pele ou da orientação sexual).

Defender tais posicionamentos, para nós da Rede, é ir contra a Graça de Jesus; é simplesmente torná-la refém de nosso ponto de vista moral ou ideológico e de nossa forma de interpretar um texto ou um livro, desprezando que todos os atos de acolhimento aos diferentes praticados por Jesus são, na verdade, textos não escritos mas encarnados na Palavra de Deus. Ao não fazer acepção de pessoas Ele nos diz que sabe ser Deus e não precisa que ninguém ouse se sentir juiz ou propagador de “condicionantes” para seu escandaloso amor incondicional.



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