:: Trinta anos de uma histórica sagração episcopal feminina: o lugar de Barbara Harris, a primeira mulher a se tornar bispa na Comunhão Anglicana ::


:: Trinta anos de uma histórica sagração episcopal feminina: o lugar de Barbara Harris, a primeira mulher a se tornar bispa na Comunhão Anglicana ::


Em 11 de fevereiro de 1989, Barbara Clementine Harris, atualmente com 88 anos de idade, foi sagrada bispa na Igreja de Deus, Santa, Uma, Católica e Apostólica, na Diocese Episcopal de Massachusetts. Ela foi a primeira mulher e, como se não bastasse a primeira mulher negra, a ser ordenada na Igreja Episcopal, e, por isso, na Comunhão Anglicana de todo o mundo.

Naquele dia, ela recebeu até ameaças de morte e inúmeras mensagens obscenas. Barbara Harris realmente incomodaria como mulher — e mulher e negra — numa posição até então protagonizada por homens, em sua maioria, brancos dentro e fora da Comunhão Anglicana. O protagonismo não poderia se perpetuar privativo de uma classe. Aliás, se entendermos que o contexto de todo o assédio de ordem moral por que passou Barbara era dentro de setores paradoxalmente intransigentes do Cristianismo, sim, contraditoriamente na contramão do Movimento de Jesus, compreenderemos a razão de terem encorajado que ela usasse um colete a prova de bala na sua sagração. Ela se recusou. Uma unidade da polícia de Boston foi designada, a pedido do Sínodo, para salvaguardar sua integridade e a própria consagração episcopal.

Ironicamente, bandeiras foram hasteadas a meio mastro na frente de diversos escritórios diocesanos espalhados pela Igreja Episcopal. O ESA, sigla em inglês para o ultraconservador Sínodo Episcopal da América, foi formado em reação imediata a sua sagração. Entretanto, a despeito “da ira dos homens e do gênio do mal”, como canta a letra de um histórico hino protestante (“Sossegai”), o ministério episcopal de Barbara Harris floriu de 1989 até 2003 quando se aposentou, sucedendo-a outra bispa mulher e negra (Gayle Elizabeth Harris). No dia de sua sagração, há trinta anos, disse:

“Certamente eu não desejo ser como mais um dos meninos [nessa função]. Quero poder oferecer os meus dons peculiares como uma mulher negra... uma sensibilidade e uma consciência que extravase para além da opressão."

Após a aposentadoria, ainda assim, serviu como Bispa auxiliar na Diocese de Washington até 2007. E foi em 2010 que veio a sofrer um AVC, tempos depois vindo a se recuperar completamente. No mês de setembro desse mesmo ano, pregou um sermão no tabernáculo histórico em Oak Bluffs, MA. O título do sermão foi: "Não é fácil ser verde".

Das muitas coisas que ela tem dito ao longo de todos esses anos, muitas engraçadas, outras irreverentes, porém a maioria profética é uma citação de Ralph Waldo Emerson que ela gosta de repetir: "o que ficou atrás de nós e o que diante de nós está são questões minúsculas demais se comparado ao que se encontra dentro de nós."

Na ocasião dos históricos trinta anos de sua sagração episcopal nesta semana, a Bispa Barbara Harris, agradecida, escreveu:

“Olho para trás nestas três décadas e permaneço atenta às palavras que o apóstolo Paulo falou no sermão da consagração: “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias!” (I Coríntios 1.27). Da mesma forma sou imensamente grata ao povo desta grande Diocese por colocar a sua confiança em mim para cumprir o papel e o ofício para os quais fui eleita.

Tem sido uma honra e um privilégio servir e continuar a ser útil, ainda assim por ocasião de minha aposentadoria, quando sou chamada aqui e em outros lugares da Igreja. Aos 88 anos só posso dizer humildemente, obrigada pelas suas contínuas orações e pelo apoio, e obrigada também a Deus."

R. P.
11/02/2019


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