27 de novembro de 2016

Pinte o mundo de laranja

Pelo fim da violência contra mulheres e meninas


A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil envolvida na campanha: 16 dias de ativismo contra a violência com as mulheres e meninas.





Em homenagem as irmãs Mirabal, assassinadas a 25 de novembro de 1960, este dia foi escolhido pela ONU no ano 1999 como o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher. A campanha 16 dias de ativismo contra a violência de gênero que começa em 25 de novembro e culmina em 10 de dezembro, este ano com o slogan “Inverte”, faz menção especial à necessidade de fundos para criar recursos que impeçam e ponham fim à violência.

Por que é importante esta temática para a sociedade?

ü  Porque vivemos numa sociedade de desigualdades em direitos e oportunidades em detrimento da mulher, onde pelo mesmo trabalho que o homem, a mulher recebe um salário menor;
ü  Porque a pobreza alcança em maior grau as meninas e mulheres e muitas delas perdem o seu direito a brincar e à educação por ter como única opção o trabalho doméstico ou a exploração infantil;
ü  Porque trata de pessoas que representam na América Latina dois milhões de meninas e mulheres vítimas da exploração sexual, comercial ou de trabalho e mais...

Por que é importante este assunto para as religiões e as/os cristãos?

ü  Porque as religiões mais violentas contra a mulher são as monoteístas, onde a imagem de um Deus masculino se desenha entre linhas um homem sagrado exercendo o poder e uma mulher sempre inferior a ele relegada ao lar.
ü  Porque um estudo recente mostrou que 40% das mulheres que sofrem violência na América Latina são evangélicas.
ü  Porque as estruturas eclesiais de nossas igrejas continuam sendo machistas, patriarcais, sacerdotais, androcêntricas e misóginas.

Que está fazendo a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil?




- Casa Abrigo Noeli Dosa Santos na região norte do país oferece um espaço seguro para mulheres e meninas vítimas da violência física – já atende mais de 200 pessoas ao ano.

- Capacitação às mulheres para trabalhar na confeitaria, em Caaporã, nordeste do país.

- Projeto com crianças em Itaparica, Bahia, que possibilita trabalho a muitas mulheres.

- Simpósio sobre Religião, Cultura e Sexualidade realizado pela Paróquia Bom Pastor da Bahia em parceria com outras instituições de ensino e movimentos sociais.

- Centro Social Anglicano na diocese de Brasília informa e forma às mães das crianças que acolhe e oferece formação de ofícios técnicos para trabalho das mesmas.

- “Costurando sonhos”, confecção de lençóis como geração de renda para mulheres carentes e de inclusão à paróquia e “O papel da vida”, curso de cartonagem para jovens onde além de ensinar um ofício, reflexiona-se sobre a cartilha da violência contra a mulher do SADD na Catedral do Rio de Janeiro.

- Movimento Bandeirante para crianças: “uma educação para a cidadania”, na paróquia Cristo Rei na Cidade de Deus, no Rio.

- Revitalização da UMEAB paroquial, conscientizando na violência contra a mulher através da hermenêutica bíblica feminista, no Méier, Rio.

- Projeto de laborterapia “Anglicanas Arteiras” onde as falas de espiritualidade para superar a depressão caminham juntas com a criação de arte. Paróquia São João Batista de Minas Gerais.

- Trabalho com anciãos, majoritariamente mulheres, extensivo aos seus cuidadores para prevenir e evitar a violência contra a terceira idade. Paróquia Santo André, São Paulo.

- “Costurando o futuro com cidadania” projeto de geração de renda e prevenção da violência contra as mulheres em Canoas, Rio Grande do Sul. Paróquia São Lucas com o apoio do SADD.

- Seminários sobre a violência contra a mulher na Catedral do Mediador em Santana do Livramento, também Rio Grande do Sul.

- Elaboração da Cartilha de Prevenção e Enfrentamento à violência doméstica contra a mulher elaborada pelo SADD (Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento).

- Debates em toda a Província sobre essa realidade através da Revista do SADD e muitas, muitas obras mais.

Jesus chegou perto das mulheres, falou com elas, as fez suas discípulas e apóstolas, porém nossos reverendos e pastores continuam contando a história de Eva como arquétipo da mulher pecadora e rejeitada por Deus e a história de Maria, como a escolhida por Deus, silenciosa, orante, submissa. Esquecemos os muitos relatos bíblicos de mulheres valentes, inteligentes, libertadoras do povo, diáconas, evangelizadoras. Fazemos traduções sexistas da Bíblia, onde a mesma palavra muda de significado se acompanha um sujeito masculino ou feminino em detrimento deste último.

Urge um novo tempo de reflexão cristã e bíblica menos espiritualista e mais contextualizada e libertadora. Urge um olhar mais crítico sobre a Bíblia como Palavra de Deus, mas também como palavras de homens que escreveram em contextos socioeconômicos e culturais machistas, poligâmicos e patriarcais.

Temos muito há fazer, há muito caminho por percorrer ainda. Como você vai viver estes dias “laranjas”? Qual será seu lugar na luta contra a violência exercida contra a mulher neste novo ano litúrgico que começa? Contamos com sua ação.

Oremos juntas e juntos:

Saímos semeando flores porque queríamos vê-las florescer,tecemos com elas coroas para colocá-las na cabeça dos pobres, das mulheres e meninas.Arrancamos de suas cabeças as coroas de espinhos e o barro de seus pés.Ungimos suas feridas com óleos aromáticos, reconstruímos casas e paredes caídas, acolhemos pessoas órfãs, exploradas, famintas e sedentas de águas abundantes.Às pessoas humilhadas propomos a glória da cabeça erguida; às cativas o sonho da justiça e da liberdade, às empobrecidas seu direito ao trabalho e ao pão.Por isso, não nos calaremos, por isso, não descansaremosaté que sua justiça brilhe como o sol e a solidariedade arda como uma tocha. Amém.


(Fragmento de “O Espírito está em nós e nós no Espírito” de Ivone Gevara)
                                                                                                




Ma. Gabriela Merayo Irrazábal  Teóloga 
Paróquia Santíssima Trindade– Méier, RJ
Diocese Anglicana do Rio de Janeiro– IEAB

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